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Morreu David Servan-Schreiber, o “Sr. Anticancro”

25.07.2011, Por Ana Gerschenfeld

"David Servan-Scheiber, médico e neurocientista francês conhecido pelo seu livro sobre o "estilo de vida anticancro", morreu ontem à noite num hospital em Fécamp (noroeste da França). Tinha 50 anos e lutava há quase 20 contra um cancro muito agressivo no cérebro.

Há já várias semanas, tinha tornado pública a sua desesperada situação de saúde, com a publicação do seu último livro, On peut se dire au revoir plusieurs fois ("É possível dizer-se adeus várias vezes", na tradução em português) (ed. Robert Laffont).

Servan-Scheiber, que como lembra a AFP nasceu numa família de grandes empresários, estava já há três dias em coma, depois de ter sofrido durante os últimos meses de diversos sintomas neurológicos graves – paralisia, dificuldade em falar – devidos a metástases no cérebro.

Foi em 1992 que, por mero acaso, Servan-Scheiber se submeteu a uma ressonância magnética no âmbito de pesquisas em neurociências que estava a fazer no seu laboratório da Universidade de Pittsburgh (EUA) e descobriu que tinha um tumor cerebral maligno. Foi operado e tratado. Mas foi quando o cancro voltou em 2000, e quando Servan-Scheiber teve de voltar a ser operado e a submeter-se a quimioterapia e radioterapia – como contou ao PÚBLICO em entrevista em Maio de 2010 – , que percebeu que tinha de procurar o que ele próprio “podia fazer para reforçar a capacidade de o [seu] corpo combater a doença”.

O resultado dessas pesquisas foi o seu livro Anticancro – Uma nova maneira de viver, publicado em 2007 (e em 2008 em Portugal, pela Caderno). No livro, Servan-Schreiber detalha as principais alterações de estilo de vida (em termos de nutrição, mas não só) que, segundo tinha apurado a partir da análise de inúmeros estudos epidemiológicos e em animais publicados na literatura científica, podem ajudar o organismo humano a lutar contra o cancro. Apesar de ter sido alvo de críticas por parte de alguns oncologistas por preconizar métodos alternativos, Servan-Schreiber sempre afirmou que os métodos soft não deviam de maneira alguma substituir os da medicina convencional, que continuavam a ser os que já lhe tinham salvo a vida por duas vezes.

A terceira recaída aconteceu no ano passado e desta vez Servan-Scheiber não a conseguiu vencer. Motivou a escrita do seu último livro. “Se a doença me atinge apesar de pensar, comer, mexer-me, respirar e viver anticancro, então o que resta de Anticancro?, declarou. “É para responder a esta pergunta que escrevo hoje.”

Era uma questão que tínhamos evocado na entrevista do ano passado. Na altura, Servan-Schreiber tinha respondido simplesmente: “Eu não sou uma experiência científica. O que digo no meu livro não se baseia no sucesso ou no fracasso do meu caso pessoal – e ainda bem. Não possuo nenhum método garantido a 100 por cento, não sei o que me irá acontecer daqui a três meses ou três anos. Mas isso não altera a validade do que digo.”

Au revoir, David Servan-Schreiber."

Fonte:
http://www.publico.pt/Sociedade/morreu-david-servanschreiber-o-sr-anticancro_1504602

Estilo de Vida Anti-cancro

"País pouco preparado para aumento de casos de cancro
in Jornal Público, 4.06.2010

OMS alerta que nas próximas duas décadas vão duplicar casos. Em Portugal faltam recursos para fazer face ao aumento, alerta Ordem dos Médicos
Os serviços de saúde portugueses não estão preparados para responder ao aumento dos casos de cancro que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), duplicarão nas próximas duas décadas, alerta Jorge Espírito Santo, presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos.

Segundo um relatório da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro, em 2030 vão registar-se cerca de 21,4 milhões de novos casos de cancro por ano e 13,2 milhões de mortes, por comparação com os 12,7 milhões de novos casos e 7,6 milhões de mortes de 2008. Estes dados confirmam uma previsão anterior da OMS e a partir dos quais foi feita a Carta de Princípios de Coimbra, divulgada em 2009, onde os oncologistas denunciavam o "desperdício e ineficiência" na utilização dos recursos usados na luta contra o cancro e propunham uma "reforma na prática" da oncologia em Portugal.

Na altura, "também alertámos para a impreparação dos serviços de saúde portugueses para lidar com esse aumento" do número de casos, recorda Espírito Santo. "Os serviços têm de ser preparados para essa ocorrência e depois tentar, conforme possível, intervir a montante no sentido de prevenir e detectar precocemente a doença", diz. Como é que isso se faz? Através dos programas, que já deveriam estar em curso, de controlo de tabagismo, obesidade, educação para a saúde e através da aplicação dos programas de rastreio o "mais rapidamente possível", alerta. Para responder a todos os casos, é necessário que "os serviços se organizem e que tenham recursos humanos, meios técnicos e, sobretudo, meios financeiros adequados".

Dezasseis meses depois de os oncologistas terem alertado para a situação, Jorge Espírito Santo afirma que o "impacto prático" desse alerta ainda não foi o desejado, apesar de já terem sido registados alguns avanços, como a criação, pelo Governo, do documento Requisitos para a Prática da Oncologia, em fase de elaboração final. "Mas isso só não chega. É preciso incluir os profissionais de saúde e os doentes no planeamento e na aplicação concreta das medidas que forem decididas", defende. O responsável alertou ainda que, se "a situação não mudar nada, será funesto não só para o sistema de saúde, mas sobretudo para os doentes que vão necessitar de tratamento". Lusa"


"David Servan-Schreiber: "A minha saúde é muito melhor do que antes de ter tido cancro

in Jornal Público, 29.05.2010 -  Por Ana Gerschenfeld

"Todos somos portadores de células cancerosas, a partir de certa idade. Mas apenas uma pessoa em cada quatro vai morrer de cancro. Qual é o segredo das outras três? As suas defesas naturais, afi rma o médico e cientista francês David Servan-Schreiber. E é possível estimularmos essas defesas naturais através do nosso estilo de vida, para prevenir ou lutar contra o cancro.


David Servan-Schreiber tem 49 anos e formou-se em Neuropsiquiatria pela Universidade de Pittsburgh, nos EUA. Aos 31 anos, soube que tinha um tumor maligno no cérebro. Mas ainda cá está e diz-se de óptima saúde. Sorte? Nada disso, explicou em duas conferências – uma para médicos, a outra para o público – durante o 3.º Congresso de Medicina Antienvelhecimento, que teve lugar há uma semana, em Cascais.

A luta de Servan-Schreiber contra a doença mortal com a qual convive há 18 anos levou-o a tentar desemaranhar o novelo dos inúmeros estudos científicos sobre o cancro e a tentar dar-lhe sentido, para perceber o que torna umas pessoas mais resistentes ao cancro do que outras. As suas respostas estão no livro Anticancro – Uma nova maneira de viver, editado em Portugal pela Caderno em 2008 e que se tornou um best-seller mundial.

Servan-Schreiber é um divulgador espectacular e convincente. Mas há ainda muita coisa por demonstrar cientificamente nas suas ideias. Até agora, tudo o que afirma baseia-se em estudos epidemiológicos ou em experiências in vitro e em animais. Mas argumenta que as mudanças de estilo de vida que preconiza não podem fazer mal nenhum – e que, se funcionarem, mais vale começar a aplicá-las já do que esperar.

Antes de escrever o livro receou que a sua abordagem desse falsas esperanças a outros doentes com cancro. Mas percebeu que o que acontece é que eles vivem numa situação de “falso desespero”, porque sentem que não têm qualquer controlo sobre a sua doença e a sua vida, e decidiu transmitir-lhes as suas “mensagens de verdadeira esperança”. Como um verdadeiro guru.

Você teve um cancro. Qual é a sua história?
Eu era um jovem médico universitário, cientista, director de um laboratório de estudo das emoções através de imagens do cérebro obtidas por ressonância magnética. Tinha 31 anos e era muito ambicioso. Num fim de tarde, o voluntário que devia submeter-se à experiência desse dia faltou e decidi ser eu a entrar no scanner para o substituir. Foi assim que descobri que tinha um cancro do cérebro. Tive muita sorte, porque o tumor foi apanhado muito cedo e fui operado bastante depressa.

Mas o cancro voltou.
Tudo correu bem até à recaída, há dez anos, em 2000. Dessa vez foi mais grave, porque o tumor era maior e mais agressivo. Tive de ser novamente operado e de fazer quimioterapia e radioterapia.

Foram a cirurgia e os outrostratamentos do cancro que lhe salvaram a vida das duas vezes.
Claro. Mas foi nessa altura que pensei que provavelmente isso não seria sufi ciente: as estatísticas de sobrevivência a este tipo de tumores não são boas. E decidi ver o que eu próprio podia fazer para reforça a capacidade de o meu corpo combater a doença.

No seu livro Anticancro descreve uma série de regras simples de estilo de vida que podem ajudar a combater a proliferação cancerosa. Quais são?
Ter atenção ao que comemos para que, se possível, a comida que ingerimos três vezes ao dia contribua para fazer abrandar a proliferação cancerosa. Como se tomássemos pequenas doses de medicamentos todos os dias. Não têm qualquer efeito tóxico – antes pelo contrário, só trazem benefícios para a saúde.

Também é preciso manter um certo nível de actividade física, pois isso estimula todas as capacidades promotoras da saúde do corpo – e em particular o sistema imunitário e a eliminação pelo organismo das substâncias cancerígenas. Por outro lado, temos de aprender a gerir melhor o nosso stress através de métodos simples de relaxação e de relacionamento com os outros. E, por último, devemos evitar ao máximo os produtos tóxicos cancerígenos.

Ao ler o seu livro, fi camos com a ideia de que ter um cancro para si foi quase uma coisa boa, que melhorou a sua vida.
Sem dúvida. E muitas pessoas que tiveram cancro dizem a mesma coisa – que agradecem ao seu cancro por lhes ter permitido pôr ordem na sua vida. Isso também acontece, aliás, às pessoas que sofreram um enfarte. É uma grande martelada, mas leva muitas pessoas a arrumar as suas vidas. Mas o que mais me espanta é que a minha saúde é muito melhor hoje do que antes de ter tido cancro. O meu estado de saúde é melhor aos 49 anos do que quando tinha 28 ou 29 anos.

Afi rma que assistimos actualmente a uma epidemia de cancro, com maior incidência nos jovens do que no passado. Os médicos estão cientes disto, nomeadamente em relação ao cancro da mama. Quais são as causas desta epidemia?
Uma mistura de factores alteraram completamente o nosso estilo de vida a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, em particular nas sociedades da Europa ocidental e da América do Norte. A nossa alimentação foi totalmente transformada, passámos a ter muito menos actividades físicas, as redes sociais e de amizade foram-se degradando – e reduzimos a nossa exposição ao sol (e, portanto, os níveis de vitamina D no organismo). Ao mesmo tempo, começámos a ser expostos a produtos químicos com uma intensidade sem precedentes. Juntos, todos estes factores criam um terreno propício à progressão do cancro no corpo humano. Não diria que provocam forçosamente o cancro, mas criam um terreno propício.

Fala-se muito da predisposição genética para o cancro e fica-se com a ideia de que há pessoas a quem calhou um “mau” número na lotaria genética. Um exemplo disso são os genes BRCA1 e 2, responsáveis pela maioria dos cancros hereditários da mama e do ovário. Mas, na sua opinião, o nosso destino não fica determinado à nascença. Acha mesmo que temos o poder de contrariar essa lotaria?
O que nos dizem estudos recentes é que, se as mulheres que têm mutações nesses genes não fizerem nada de particular, o seu risco de contrair cancro da mama é de 80 por cento. Mas também nos dizem que, quanto maior a quantidade de legumes na alimentação dessas mulheres, mais pequeno o risco.

E isso apesar das mutações: as participantes com mutações nesses genes que comiam as maiores quantidades de vegetais viram o seu risco de cancro da mama reduzido em 73 por cento em relação àquelas que comiam as quantidades mais pequenas. Cerca de 15 por cento dos cancros têm uma componente genética. Mas mesmo quando essa componente existe, os factores ligados ao estilo de vida desempenham um papel importantíssimo, tanto para fazer com que esses genes de cancro se expressem como para impedir a sua expressão.

Na alimentação, o que é que promove o cancro?
Para além do tabaco e do álcool, em primeiro lugar o açúcar e as farinhas brancas. É pena, porque as farinhas brancas são muito apetitosas. Mas no corpo elas transformamse imediatamente em açúcar. Depois temos os óleos de girassol, soja, milho; a carne e os produtos derivados de animais criados com rações à base de soja e de milho (em vez de pastagens). Do lado dos contaminantes químicos, certos pesticidas, certos produtos químicos presentes nos perfumes e nos cosméticos (parabenos e ftalatos), o tetracloroetileno (o solvente da limpeza a seco) ou o bisfenol A (BPA), que é libertado pelos plásticos duros quando são expostos a alimentos ou líquidos quentes.

É uma agressão permanente...
É. Mas isso não quer dizer que todas as pessoas que tenham bebido uma chávena de chá aquecido no microondas numa caneca de plástico duro vão morrer de cancro, porque existem imensos factores que podem compensar esse efeito. Também fazem parte da equação, do equilíbrio, o facto de ser fisicamente activo, de comer com frequência legumes anticancro, de ter bons níveis de vitamina D no organismo e uma rede social de qualidade. São os desequilíbrios que fazem aumentar as probabilidades de o cancro se desenvolver.

Mas, apesar de todas estas mudanças supostamente perigosas de dieta e outras, a esperança de vida – e de vida com qualidade – aumentou nitidamente nas sociedades ocidentais. Isso não é paradoxal?
A esperança de vida que aumentou foi a das pessoas que nasceram antes de 1950. A esperança de vida das crianças que nascem hoje nos Estados Unidos é inferior à dos seus pais. E é a primeira vez na História da humanidade que isso acontece.

Aquilo a que chama alimentos “anticancro” – biológicos, em particular – continuam a ser mais caros do que os outros. Como comer “anticancro” quando se tem uma família para alimentar?
Não é totalmente verdade que os alimentos biológicos sejam muito mais caros. Tem mesmo havido estudos sobre a questão. Mas, sobretudo, é preciso passar para uma alimentação de tipo mediterrânico, com quantidades muito mais pequenas de produtos de origem animal. Basta cortar na quantidade de carne que comemos para poupar dinheiro. Se substituirmos a carne por lentilhas e feijões, garanto que o orçamento alimentar da família diminui. E não somos obrigados a comer apenas alimentos biológicos. É melhor, mas não é vital. Mais vale comer brócolos, mesmo que tenham resíduos de pesticidas, do que não comer brócolos nenhuns.

A carne não é importante para o crescimento das crianças?
As crianças vegetarianas têm um crescimento tão saudável como o das outras. A alimentação tem de fornecer proteínas, mas uma mistura de feijão e de arroz, por exemplo, fornece a mesma quantidade de proteínas que um bife.

Há uns anos, um grande estudo sobre suplementos de betacaroteno revelou-se não só decepcionante mas sugeriu mesmo que os comprimidos de beta-caroteno faziam aumentar a incidência de certos cancros. Por que é que os especialistas insistem neste tipo de estudos se, como já referiu, um único ingrediente não chega para combater o cancro?
A medicina procura sempre extrair um agente activo. O que eu tento mostrar é que isso não faz sentido. O cancro é um desequilíbrio entre inúmeros factores que o promovem e inúmeros factores susceptíveis de o travar. Se pretendermos utilizar apenas um ingrediente, o mais provável é que não observemos qualquer efeito.

Isso também vale para os ómega-3 [gorduras essenciais, contidas nomeadamente no peixe]? Explica que os ómega 3 são gorduras anticancro cruciais, mas sozinhos também não chegam?
Não, não chegam. É óbvio.

E o que é melhor, tomar um comprimido de ómega 3 ou ir buscar o ómega 3 aos alimentos?
Ir buscá-lo aos alimentos. O peixe, por exemplo, que contém muito ómega 3, também tem outras coisas muito úteis, como o selénio, o iodo, para além de ser uma boa fonte de proteína animal sem muitos dos inconvenientes da carne.

Considera o álcool como um agente de cancro, mas o vinho tinto como uma excepção. Mais vale engolir um comprimido de resveratrol [o ingrediente “anticancro” responsável pelos benefícios do vinho tinto], beber vinho tinto ou comer uvas pretas?
Há menos resveratrol nas uvas do que no vinho tinto, porque a fermentação contribui para extrair o resveratrol das uvas. É difícil dar uma resposta, porque a vantagem dos comprimidos é que não contêm álcool. Mas é um facto que um pouco de vinho tinto (mesmo pouco!) parece contribuir para a eliminação do cancro e favorecer a saúde em geral. E não devemos esquecer que o vinho tinto é também benéfico para a saúde cardiovascular. Mas mal ultrapassamos certas doses, verifica-se o efeito contrário: o vinho torna-se promotor do cancro.

Diz que as margarinas que fazem baixar o colesterol contribuíram para fazer aumentar não apenas a incidência do cancro, mas também a das doenças cardiovasculares. Não é o que costumamos ouvir.
Acontece que podemos fazer diminuir o colesterol e ao mesmo tempo aumentar os riscos de doenças cardiovasculares – e é o que este tipo de margarina faz [contém ómega 6, uma outra gordura essencial que, em níveis excessivos, tem sido apontada como promotora de doenças cardiovasculares e de cancro].

A questão do colesterol é muito complexa, mas o nível de colesterol é de facto menos importante do que o equilíbrio ómega 3/ómega 6, porque não temos medicamentos para mudar este equilíbrio – que depende, portanto, unicamente da nossa dieta –, mas temos medicamentos para diminuir o colesterol. Fala-se muito do colesterol e não o sufi ciente do equilíbrio ómega 3/ómega 6.

Se não devemos pôr nem manteiga nem margarina na nossa torrada do pequeno-almoço, o que é que nos resta?
Azeite. É delicioso. Mas comer pão também não é uma grande ideia.

Mesmo pão integral?
O pão integral também não é a melhor escolha, tem de ser multicereais. E, mesmo assim, é muito mais aconselhável comer muesli (ou uma mistura de cereais e frutas) com um iogurte biológico ou de soja. Isso é que contém muitas coisas que vão estimular a saúde do nosso corpo, não o pão.

Só deveríamos comer produtos frescos?
O que é preciso evitar são os chamados ácidos gordos trans – que são gorduras que não ficam rançosas e, por isso, são muito utilizadas na indústria alimentar. Mas isso, toda a gente o diz. E se consumirmos conservas, é melhor escolher as que vêm em boiões de vidro. Também podemos comer alimentos congelados.

Diz que os médicos continuam a transmitir aos seus doentes com cancro uma mensagem de “falso desespero”, ao dizerem que, em termos de estilo de vida, não há muito a fazer. Chegam a dizer que, para tal ou tal cancro, o doente pode continuar a fumar, porque isso não faz grande diferença. É possível mudar essa atitude “derrotista”?
É o que tento fazer. Nas minhas conferências, falo de um estudo que mostra uma redução de 68 por cento do risco de cancro da mama em mulheres que aprenderam a mudar o seu estilo de vida. Mas, mesmo quando há um ensaio como este, ninguém ouviu falar dele. Porquê? Porque ninguém convida os médicos a passar dois dias em Cascais, com todas as suas despesas pagas, para se inteirarem dos benefícios das frutas e dos legumes, do jogging ou das técnicas de relaxação. Há muito pouco dinheiro para fazer estudos quando não há nada que possa resultar numa patente.

Mas é preciso ter em conta que cada um destes elementos, isoladamente, pesa muito pouco na balança. Comer apenas brócolos não trava o cancro. Fazer jogging e mais nada não trava o cancro. É quando começamos a juntar todas estas coisas que obtemos resultados.

Existe uma pressão sobre os médicos por parte dos laboratórios farmacêuticos para não falarem de alterações do estilo de vida?
Não é preciso. Os laboratórios farmacêuticos não têm sequer de mexer um dedo, porque as barreiras que impedem que isto penetre a prática médica são muito efi cazes. Os médicos não recebem mais dinheiro por darem conselhos nutricionais aos seus doentes, antes pelo contrário, uma vez que acabam por passar mais tempo com cada doente.

Considera-se livre do seu cancro hoje?
Não.

E não pensa que, no fundo, teve sobretudo sorte – pelo facto de o seu tumor ter sido operável e de a quimioterapia e a radioterapia terem resultado?
Eu não sou uma experiência científi ca. O que digo no meu livro não se baseia no sucesso ou no fracasso do meu caso pessoal – e ainda bem. Não possuo nenhum método garantido a 100 por cento, não sei o que me irá acontecer daqui a três meses ou três anos. Mas isso não altera a validade do que digo. Tento pôr todas as chances do meu lado, mas em relação ao resto não tenho qualquer controlo. Claro que poderíamos dizer que tive sorte: quando olhamos para as estatísticas, há menos de dois por cento das pessoas com a mesma doença que eu e que estão hoje no mesmo ponto que eu.

O que faz actualmente?
Lancei um programa de investigação com o Centro de Estudo do Cancro MD Anderson de Houston [Universidade do Texas], para testar a minha abordagem através de medições biológicas. Queremos ver como é que as mudanças de estilo de vida modifi cam a natureza do terreno do corpo, fazendo com que as células cancerosas tenham menos hipóteses de proliferar. E estou a trabalhar num livro de receitas de cozinha, com indicações muito precisas em termos de alimentação. É que convém que o resultado seja saboroso.

Dicas
Alguns ingredientes do estilo de vida "anticancro", a consumir em simultâneo





  • Eliminar açúcar e farinhas brancas, promotoras de cancros. Num século, o consumo per capita de açúcares refinados passou de uns quilos por ano para 80 nos EUA, a maior parte dissimulada nos alimentos (uma lata de refrigerante açucarado contém 12 pacotes de açúcar). Substituir por farinhas integrais, arroz integral ou basmati, massa semi-integral, pão multicereais, lentilhas, feijão, chocolate preto, frutos vermelhos.
















  • Restabelecer o equilíbrio ómega 3/ómega 6, gorduras essenciais que o organismo só pode ir buscar aos alimentos. No Ocidente, os óleos alimentares industriais e a mudança de alimentação do gado levaram a um excesso de ómega 6, promotor da proliferação celular e da inflamação (que o ómega 3 inibe). Alimentos que promovem o equilíbrio: carne, ovos e lacticínios "bio", leite e iogurtes de soja, azeite. Alimentos ricos em ómega 3: óleo de linhaça, sardinhas e atum (em azeite quando são de lata), salmão, etc.
















  • Consumir muita fruta e legumes evitando os pesticidas. Servan-Schreiber prefere fruta e legumes "bio" no caso dos frutos vermelhos, uvas, pepinos, aipo, espinafres, feijão-verde, courgettes, etc. (se não forem "bio", podem ser lavados ou descascados para diminuir os resíduos). Brócolos, couves, tomates, cebolas, beringelas, ervilhas, abacates, mangas, ameixas, etc. estão menos contaminados. Certos frutos e legumes poderão ter uma acção anticancro específica (e variável conforme o cancro). O chá verde e o vinho tinto (um copo por dia) também. Convém ainda banir certos produtos cosméticos, arejar as peças de roupa após limpeza a seco, não aquecer os alimentos em recipientes de plástico duro e não beber água da torneira nas zonas de agricultura intensiva.
















  • Saber pedir ajuda e gerir o stress. As redes de amizade deterioraram-se, pelo menos nos EUA, porque a mobilidade das pessoas aumentou. Os doentes com cancro que têm amigos chegados e maior apoio psicológico parecem, segundo alguns estudos, resistir melhor à doença. E diversas técnicas de relaxação permitem gerir o stress. O stress em si, explica o médico, não é responsável pela diminuição das defesas imunitárias; é-o indirectamente pela maneira como lidamos com ele. O mais prejudicial é o sentimento de impotência, de perda de controlo sobre a sua própria vida.
















  • Manter bons níveis de vitamina D e evitar a sedentariedade. As pessoas trabalham muito menos no exterior, o que fez diminuir a actividade física e, nas regiões com pouco sol, dos níveis de vitamina D - vitamina que, explica Servan-Schreiber, tem uma acção anticancro. Muitos especialistas já aconselham andar a pé 30 minutos por dia, seis dias por semana. E, para compensar o défice em vitamina D, pode-se apanhar mais sol, tomar suplementos vitamínicos ou mesmo... engolir de vez em quando uma colher de óleo de fígado de bacalhau."











  • Fontes e imagem:
    http://jornal.publico.pt/noticia/04-06-2010/pais-pouco-preparado-para-aumento-de-casos-de-cancro-19544322.htm
    http://www.publico.pt/Sociedade/a-minha-saude-e-muito-melhor-do-que-antes-de-ter-tido-cancro_1439607

    Peritos propõem soluções para a área do cancro "em tempos de contenção" 02.04.2012, in Jornal Público, por Catarina Gomes:
    http://www.publico.pt/Sociedade/peritos-propoem-solucoes-para-a-area-do-cancro-em-tempos-de-contencao-1540370

    David Servan-Schreiber: "A minha saúde é muito melhor do que antes de ter tido cancro"

    in Jornal Público, 29.05.2010 -  Por Ana Gerschenfeld

    "Todos somos portadores de células cancerosas, a partir de certa idade. Mas apenas uma pessoa em cada quatro vai morrer de cancro. Qual é o segredo das outras três? As suas defesas naturais, afi rma o médico e cientista francês David Servan-Schreiber. E é possível estimularmos essas defesas naturais através do nosso estilo de vida, para prevenir ou lutar contra o cancro.


    David Servan-Schreiber tem 49 anos e formou-se em Neuropsiquiatria pela Universidade de Pittsburgh, nos EUA. Aos 31 anos, soube que tinha um tumor maligno no cérebro. Mas ainda cá está e diz-se de óptima saúde. Sorte? Nada disso, explicou em duas conferências – uma para médicos, a outra para o público – durante o 3.º Congresso de Medicina Antienvelhecimento, que teve lugar há uma semana, em Cascais.

    A luta de Servan-Schreiber contra a doença mortal com a qual convive há 18 anos levou-o a tentar desemaranhar o novelo dos inúmeros estudos científicos sobre o cancro e a tentar dar-lhe sentido, para perceber o que torna umas pessoas mais resistentes ao cancro do que outras. As suas respostas estão no livro Anticancro – Uma nova maneira de viver, editado em Portugal pela Caderno em 2008 e que se tornou um best-seller mundial.

    Servan-Schreiber é um divulgador espectacular e convincente. Mas há ainda muita coisa por demonstrar cientificamente nas suas ideias. Até agora, tudo o que afirma baseia-se em estudos epidemiológicos ou em experiências in vitro e em animais. Mas argumenta que as mudanças de estilo de vida que preconiza não podem fazer mal nenhum – e que, se funcionarem, mais vale começar a aplicá-las já do que esperar.

    Antes de escrever o livro receou que a sua abordagem desse falsas esperanças a outros doentes com cancro. Mas percebeu que o que acontece é que eles vivem numa situação de “falso desespero”, porque sentem que não têm qualquer controlo sobre a sua doença e a sua vida, e decidiu transmitir-lhes as suas “mensagens de verdadeira esperança”. Como um verdadeiro guru.

    Você teve um cancro. Qual é a sua história?
    Eu era um jovem médico universitário, cientista, director de um laboratório de estudo das emoções através de imagens do cérebro obtidas por ressonância magnética. Tinha 31 anos e era muito ambicioso. Num fim de tarde, o voluntário que devia submeter-se à experiência desse dia faltou e decidi ser eu a entrar no scanner para o substituir. Foi assim que descobri que tinha um cancro do cérebro. Tive muita sorte, porque o tumor foi apanhado muito cedo e fui operado bastante depressa.

    Mas o cancro voltou.
    Tudo correu bem até à recaída, há dez anos, em 2000. Dessa vez foi mais grave, porque o tumor era maior e mais agressivo. Tive de ser novamente operado e de fazer quimioterapia e radioterapia.

    Foram a cirurgia e os outrostratamentos do cancro que lhe salvaram a vida das duas vezes.
    Claro. Mas foi nessa altura que pensei que provavelmente isso não seria sufi ciente: as estatísticas de sobrevivência a este tipo de tumores não são boas. E decidi ver o que eu próprio podia fazer para reforça a capacidade de o meu corpo combater a doença.

    No seu livro Anticancro descreve uma série de regras simples de estilo de vida que podem ajudar a combater a proliferação cancerosa. Quais são?
    Ter atenção ao que comemos para que, se possível, a comida que ingerimos três vezes ao dia contribua para fazer abrandar a proliferação cancerosa. Como se tomássemos pequenas doses de medicamentos todos os dias. Não têm qualquer efeito tóxico – antes pelo contrário, só trazem benefícios para a saúde.

    Também é preciso manter um certo nível de actividade física, pois isso estimula todas as capacidades promotoras da saúde do corpo – e em particular o sistema imunitário e a eliminação pelo organismo das substâncias cancerígenas. Por outro lado, temos de aprender a gerir melhor o nosso stress através de métodos simples de relaxação e de relacionamento com os outros. E, por último, devemos evitar ao máximo os produtos tóxicos cancerígenos.

    Ao ler o seu livro, fi camos com a ideia de que ter um cancro para si foi quase uma coisa boa, que melhorou a sua vida.
    Sem dúvida. E muitas pessoas que tiveram cancro dizem a mesma coisa – que agradecem ao seu cancro por lhes ter permitido pôr ordem na sua vida. Isso também acontece, aliás, às pessoas que sofreram um enfarte. É uma grande martelada, mas leva muitas pessoas a arrumar as suas vidas. Mas o que mais me espanta é que a minha saúde é muito melhor hoje do que antes de ter tido cancro. O meu estado de saúde é melhor aos 49 anos do que quando tinha 28 ou 29 anos.

    Afi rma que assistimos actualmente a uma epidemia de cancro, com maior incidência nos jovens do que no passado. Os médicos estão cientes disto, nomeadamente em relação ao cancro da mama. Quais são as causas desta epidemia?
    Uma mistura de factores alteraram completamente o nosso estilo de vida a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, em particular nas sociedades da Europa ocidental e da América do Norte. A nossa alimentação foi totalmente transformada, passámos a ter muito menos actividades físicas, as redes sociais e de amizade foram-se degradando – e reduzimos a nossa exposição ao sol (e, portanto, os níveis de vitamina D no organismo). Ao mesmo tempo, começámos a ser expostos a produtos químicos com uma intensidade sem precedentes. Juntos, todos estes factores criam um terreno propício à progressão do cancro no corpo humano. Não diria que provocam forçosamente o cancro, mas criam um terreno propício.

    Fala-se muito da predisposição genética para o cancro e fica-se com a ideia de que há pessoas a quem calhou um “mau” número na lotaria genética. Um exemplo disso são os genes BRCA1 e 2, responsáveis pela maioria dos cancros hereditários da mama e do ovário. Mas, na sua opinião, o nosso destino não fica determinado à nascença. Acha mesmo que temos o poder de contrariar essa lotaria?
    O que nos dizem estudos recentes é que, se as mulheres que têm mutações nesses genes não fizerem nada de particular, o seu risco de contrair cancro da mama é de 80 por cento. Mas também nos dizem que, quanto maior a quantidade de legumes na alimentação dessas mulheres, mais pequeno o risco.

    E isso apesar das mutações: as participantes com mutações nesses genes que comiam as maiores quantidades de vegetais viram o seu risco de cancro da mama reduzido em 73 por cento em relação àquelas que comiam as quantidades mais pequenas. Cerca de 15 por cento dos cancros têm uma componente genética. Mas mesmo quando essa componente existe, os factores ligados ao estilo de vida desempenham um papel importantíssimo, tanto para fazer com que esses genes de cancro se expressem como para impedir a sua expressão.

    Na alimentação, o que é que promove o cancro?
    Para além do tabaco e do álcool, em primeiro lugar o açúcar e as farinhas brancas. É pena, porque as farinhas brancas são muito apetitosas. Mas no corpo elas transformamse imediatamente em açúcar. Depois temos os óleos de girassol, soja, milho; a carne e os produtos derivados de animais criados com rações à base de soja e de milho (em vez de pastagens). Do lado dos contaminantes químicos, certos pesticidas, certos produtos químicos presentes nos perfumes e nos cosméticos (parabenos e ftalatos), o tetracloroetileno (o solvente da limpeza a seco) ou o bisfenol A (BPA), que é libertado pelos plásticos duros quando são expostos a alimentos ou líquidos quentes.

    É uma agressão permanente...
    É. Mas isso não quer dizer que todas as pessoas que tenham bebido uma chávena de chá aquecido no microondas numa caneca de plástico duro vão morrer de cancro, porque existem imensos factores que podem compensar esse efeito. Também fazem parte da equação, do equilíbrio, o facto de ser fisicamente activo, de comer com frequência legumes anticancro, de ter bons níveis de vitamina D no organismo e uma rede social de qualidade. São os desequilíbrios que fazem aumentar as probabilidades de o cancro se desenvolver.

    Mas, apesar de todas estas mudanças supostamente perigosas de dieta e outras, a esperança de vida – e de vida com qualidade – aumentou nitidamente nas sociedades ocidentais. Isso não é paradoxal?
    A esperança de vida que aumentou foi a das pessoas que nasceram antes de 1950. A esperança de vida das crianças que nascem hoje nos Estados Unidos é inferior à dos seus pais. E é a primeira vez na História da humanidade que isso acontece.

    Aquilo a que chama alimentos “anticancro” – biológicos, em particular – continuam a ser mais caros do que os outros. Como comer “anticancro” quando se tem uma família para alimentar?
    Não é totalmente verdade que os alimentos biológicos sejam muito mais caros. Tem mesmo havido estudos sobre a questão. Mas, sobretudo, é preciso passar para uma alimentação de tipo mediterrânico, com quantidades muito mais pequenas de produtos de origem animal. Basta cortar na quantidade de carne que comemos para poupar dinheiro. Se substituirmos a carne por lentilhas e feijões, garanto que o orçamento alimentar da família diminui. E não somos obrigados a comer apenas alimentos biológicos. É melhor, mas não é vital. Mais vale comer brócolos, mesmo que tenham resíduos de pesticidas, do que não comer brócolos nenhuns.

    A carne não é importante para o crescimento das crianças?
    As crianças vegetarianas têm um crescimento tão saudável como o das outras. A alimentação tem de fornecer proteínas, mas uma mistura de feijão e de arroz, por exemplo, fornece a mesma quantidade de proteínas que um bife.

    Há uns anos, um grande estudo sobre suplementos de betacaroteno revelou-se não só decepcionante mas sugeriu mesmo que os comprimidos de beta-caroteno faziam aumentar a incidência de certos cancros. Por que é que os especialistas insistem neste tipo de estudos se, como já referiu, um único ingrediente não chega para combater o cancro?
    A medicina procura sempre extrair um agente activo. O que eu tento mostrar é que isso não faz sentido. O cancro é um desequilíbrio entre inúmeros factores que o promovem e inúmeros factores susceptíveis de o travar. Se pretendermos utilizar apenas um ingrediente, o mais provável é que não observemos qualquer efeito.

    Isso também vale para os ómega-3 [gorduras essenciais, contidas nomeadamente no peixe]? Explica que os ómega 3 são gorduras anticancro cruciais, mas sozinhos também não chegam?
    Não, não chegam. É óbvio.

    E o que é melhor, tomar um comprimido de ómega 3 ou ir buscar o ómega 3 aos alimentos?
    Ir buscá-lo aos alimentos. O peixe, por exemplo, que contém muito ómega 3, também tem outras coisas muito úteis, como o selénio, o iodo, para além de ser uma boa fonte de proteína animal sem muitos dos inconvenientes da carne.

    Considera o álcool como um agente de cancro, mas o vinho tinto como uma excepção. Mais vale engolir um comprimido de resveratrol [o ingrediente “anticancro” responsável pelos benefícios do vinho tinto], beber vinho tinto ou comer uvas pretas?
    Há menos resveratrol nas uvas do que no vinho tinto, porque a fermentação contribui para extrair o resveratrol das uvas. É difícil dar uma resposta, porque a vantagem dos comprimidos é que não contêm álcool. Mas é um facto que um pouco de vinho tinto (mesmo pouco!) parece contribuir para a eliminação do cancro e favorecer a saúde em geral. E não devemos esquecer que o vinho tinto é também benéfico para a saúde cardiovascular. Mas mal ultrapassamos certas doses, verifica-se o efeito contrário: o vinho torna-se promotor do cancro.

    Diz que as margarinas que fazem baixar o colesterol contribuíram para fazer aumentar não apenas a incidência do cancro, mas também a das doenças cardiovasculares. Não é o que costumamos ouvir.
    Acontece que podemos fazer diminuir o colesterol e ao mesmo tempo aumentar os riscos de doenças cardiovasculares – e é o que este tipo de margarina faz [contém ómega 6, uma outra gordura essencial que, em níveis excessivos, tem sido apontada como promotora de doenças cardiovasculares e de cancro].

    A questão do colesterol é muito complexa, mas o nível de colesterol é de facto menos importante do que o equilíbrio ómega 3/ómega 6, porque não temos medicamentos para mudar este equilíbrio – que depende, portanto, unicamente da nossa dieta –, mas temos medicamentos para diminuir o colesterol. Fala-se muito do colesterol e não o sufi ciente do equilíbrio ómega 3/ómega 6.

    Se não devemos pôr nem manteiga nem margarina na nossa torrada do pequeno-almoço, o que é que nos resta?
    Azeite. É delicioso. Mas comer pão também não é uma grande ideia.

    Mesmo pão integral?
    O pão integral também não é a melhor escolha, tem de ser multicereais. E, mesmo assim, é muito mais aconselhável comer muesli (ou uma mistura de cereais e frutas) com um iogurte biológico ou de soja. Isso é que contém muitas coisas que vão estimular a saúde do nosso corpo, não o pão.

    Só deveríamos comer produtos frescos?
    O que é preciso evitar são os chamados ácidos gordos trans – que são gorduras que não ficam rançosas e, por isso, são muito utilizadas na indústria alimentar. Mas isso, toda a gente o diz. E se consumirmos conservas, é melhor escolher as que vêm em boiões de vidro. Também podemos comer alimentos congelados.

    Diz que os médicos continuam a transmitir aos seus doentes com cancro uma mensagem de “falso desespero”, ao dizerem que, em termos de estilo de vida, não há muito a fazer. Chegam a dizer que, para tal ou tal cancro, o doente pode continuar a fumar, porque isso não faz grande diferença. É possível mudar essa atitude “derrotista”?
    É o que tento fazer. Nas minhas conferências, falo de um estudo que mostra uma redução de 68 por cento do risco de cancro da mama em mulheres que aprenderam a mudar o seu estilo de vida. Mas, mesmo quando há um ensaio como este, ninguém ouviu falar dele. Porquê? Porque ninguém convida os médicos a passar dois dias em Cascais, com todas as suas despesas pagas, para se inteirarem dos benefícios das frutas e dos legumes, do jogging ou das técnicas de relaxação. Há muito pouco dinheiro para fazer estudos quando não há nada que possa resultar numa patente.

    Mas é preciso ter em conta que cada um destes elementos, isoladamente, pesa muito pouco na balança. Comer apenas brócolos não trava o cancro. Fazer jogging e mais nada não trava o cancro. É quando começamos a juntar todas estas coisas que obtemos resultados.

    Existe uma pressão sobre os médicos por parte dos laboratórios farmacêuticos para não falarem de alterações do estilo de vida?
    Não é preciso. Os laboratórios farmacêuticos não têm sequer de mexer um dedo, porque as barreiras que impedem que isto penetre a prática médica são muito efi cazes. Os médicos não recebem mais dinheiro por darem conselhos nutricionais aos seus doentes, antes pelo contrário, uma vez que acabam por passar mais tempo com cada doente.

    Considera-se livre do seu cancro hoje?
    Não.

    E não pensa que, no fundo, teve sobretudo sorte – pelo facto de o seu tumor ter sido operável e de a quimioterapia e a radioterapia terem resultado?
    Eu não sou uma experiência científi ca. O que digo no meu livro não se baseia no sucesso ou no fracasso do meu caso pessoal – e ainda bem. Não possuo nenhum método garantido a 100 por cento, não sei o que me irá acontecer daqui a três meses ou três anos. Mas isso não altera a validade do que digo. Tento pôr todas as chances do meu lado, mas em relação ao resto não tenho qualquer controlo. Claro que poderíamos dizer que tive sorte: quando olhamos para as estatísticas, há menos de dois por cento das pessoas com a mesma doença que eu e que estão hoje no mesmo ponto que eu.

    O que faz actualmente?
    Lancei um programa de investigação com o Centro de Estudo do Cancro MD Anderson de Houston [Universidade do Texas], para testar a minha abordagem através de medições biológicas. Queremos ver como é que as mudanças de estilo de vida modifi cam a natureza do terreno do corpo, fazendo com que as células cancerosas tenham menos hipóteses de proliferar. E estou a trabalhar num livro de receitas de cozinha, com indicações muito precisas em termos de alimentação. É que convém que o resultado seja saboroso.

    Dicas
    Alguns ingredientes do estilo de vida "anticancro", a consumir em simultâneo

  • Eliminar açúcar e farinhas brancas, promotoras de cancros. Num século, o consumo per capita de açúcares refinados passou de uns quilos por ano para 80 nos EUA, a maior parte dissimulada nos alimentos (uma lata de refrigerante açucarado contém 12 pacotes de açúcar). Substituir por farinhas integrais, arroz integral ou basmati, massa semi-integral, pão multicereais, lentilhas, feijão, chocolate preto, frutos vermelhos.






  • Restabelecer o equilíbrio ómega 3/ómega 6, gorduras essenciais que o organismo só pode ir buscar aos alimentos. No Ocidente, os óleos alimentares industriais e a mudança de alimentação do gado levaram a um excesso de ómega 6, promotor da proliferação celular e da inflamação (que o ómega 3 inibe). Alimentos que promovem o equilíbrio: carne, ovos e lacticínios "bio", leite e iogurtes de soja, azeite. Alimentos ricos em ómega 3: óleo de linhaça, sardinhas e atum (em azeite quando são de lata), salmão, etc.






  • Consumir muita fruta e legumes evitando os pesticidas. Servan-Schreiber prefere fruta e legumes "bio" no caso dos frutos vermelhos, uvas, pepinos, aipo, espinafres, feijão-verde, courgettes, etc. (se não forem "bio", podem ser lavados ou descascados para diminuir os resíduos). Brócolos, couves, tomates, cebolas, beringelas, ervilhas, abacates, mangas, ameixas, etc. estão menos contaminados. Certos frutos e legumes poderão ter uma acção anticancro específica (e variável conforme o cancro). O chá verde e o vinho tinto (um copo por dia) também. Convém ainda banir certos produtos cosméticos, arejar as peças de roupa após limpeza a seco, não aquecer os alimentos em recipientes de plástico duro e não beber água da torneira nas zonas de agricultura intensiva.






  • Saber pedir ajuda e gerir o stress. As redes de amizade deterioraram-se, pelo menos nos EUA, porque a mobilidade das pessoas aumentou. Os doentes com cancro que têm amigos chegados e maior apoio psicológico parecem, segundo alguns estudos, resistir melhor à doença. E diversas técnicas de relaxação permitem gerir o stress. O stress em si, explica o médico, não é responsável pela diminuição das defesas imunitárias; é-o indirectamente pela maneira como lidamos com ele. O mais prejudicial é o sentimento de impotência, de perda de controlo sobre a sua própria vida.






  • Manter bons níveis de vitamina D e evitar a sedentariedade. As pessoas trabalham muito menos no exterior, o que fez diminuir a actividade física e, nas regiões com pouco sol, dos níveis de vitamina D - vitamina que, explica Servan-Schreiber, tem uma acção anticancro. Muitos especialistas já aconselham andar a pé 30 minutos por dia, seis dias por semana. E, para compensar o défice em vitamina D, pode-se apanhar mais sol, tomar suplementos vitamínicos ou mesmo... engolir de vez em quando uma colher de óleo de fígado de bacalhau."




  • Fonte e imagem:
    http://www.publico.pt/Sociedade/a-minha-saude-e-muito-melhor-do-que-antes-de-ter-tido-cancro_1439607

    Medical Establishment Acknowledges Role of Chemicals and Pesticides in Cancer Epidemic

    May 11th, 2010 - by: David Servan-Schreiber, M.D., Ph.D. 
     
    "Every year a committee delivers a report to the US President on how the billions of dollars earmarked for fighting cancer are being used. On May 6 that committee handed in its work for 2010, alerting the President to the gaps in research regarding the environmental causes of cancer. This year, for the first time, this high-brow panel of oncologists courageously pointed the finger at chemicals and other environmental factors that are likely to cause cancer.

    In their introduction, the signatories of the report that was handed to President Obama note that the incidence of cancer in children has been rising regularly, a fact that can’t be explained by the usual excuses for rising cancer rates in the population over the past thirty years (aging of the population, increasing use of cancer screening). By definition, as I wrote in Anticancer, neither the increasing age of our population, nor the improvement of screening, have any role in rising rates of cancer in children. Indeed, as the panel now acknowledges, the only plausible explanations have to do with changes in our environment and life-style.

    The panel criticizes the current "reactionary" approach, which consists in waiting for proof of the toxicity of a contaminant before measures are taken to reduce people's exposure.

    The authors underline the need for a new approach based on the precautionary principle. They criticize the ineffectiveness of the agencies set up to do scientific evaluations -- which are excessively influenced by industry and related lobbies. They point out that it is no longer acceptable that a product or chemical be considered “safe” simply because the company producing it affirms that it has conducted internal research establishing safety.

    The panel presents to the President a number of arguments that have long been made by activists that have been concerned about a laissez-faire approach to regulating chemicals in terms of their possible effects on health.

    Firstly, even when a pollutant is present in our environment at levels beneath the regulatory maximum, it may nonetheless become toxic because of interaction with other pollutants. The committee asks for more research on this often-neglected "cocktail effect".

    Secondly, the authors call -- "urgently" -- for more research regarding the effect of cell phones and their increased dissemination among teenagers and young children in particular.

    Below are the specific recommendations that the report states most need to be conveyed to the public in the short term:
    * Avoid endocrine disruptors, especially for children and pregnant women. (This includes a number of pesticides, but also children toys made with plasticizers such as phtalhates)
    * If you work in a polluted environment, don't go home in your work clothes and work shoes.
    * Filter your drinking water (particularly in areas where it may contain industrial chemicals or high levels of pesticides)
    * Don't keep your food or water in containers containing Bisphenol A or phtalates (hard plastic containers)
    * Prefer organic food. Avoid overcooked meat.
    * Have the level of radon in your home evaluated.

    I addressed all these themes in my book, Anticancer, and I continue to do so regularly on this site and in my public lectures. I'm deeply satisfied to see that these concerns are starting to be recognized by the oncologists who contribute to setting policy at the highest levels in the United States. It is important that they begin to recognize that these are not issues relevant only to a few agitated activists. These concerns are motivated by solid scientific studies and they should be at the core of any future policy to contain the current cancer epidemic.

    The 2010 President’s Cancer Panel report is available from the US National Cancer Institute’s Web site at:
    http://deainfo.nci.nih.gov/advisory/pcp/pcp.htm"

    Fonte:

    Servan-Schreiber: « Mon combat contre la maladie»

    "L'invité du dimanche. David Servan-Schreiber publie une nouvelle édition d' «Anticancer».
    Servan-Schreiber: « 
Mon combat contre la maladie»
    Servan-Schreiber: « Mon combat contre la maladie»
    David Servan-Schreiber est psychiatre. Il a écrit plusieurs best-sellers, dont « Guérir », et « Anti-cancer » (Robert Laffont).
    LA DÉPÊCHE DU DIMANCHE : Pourquoi avoir révélé que vous avez été atteint d'un cancer ?
    David SERVAN-SCHREIBER : Pendant longtemps, je n'en ai pas parlé. Je gardais ma maladie confidentielle. J'ai fini par être convaincu par mes proches qui me disaient que mon expérience, d'autres approches de santé, pouvaient bénéficier à des malades. Et je ne regrette pas de l'avoir fait. J'ai rendu des services.
    DDD : Vous avez fait une rechute. Guérit-on d'un cancer, ou bien faut-il continuer à vivre avec cette épée de Damoclès ?
    D. S.-S. : Cela dépend des cas. Il y a des petits cancers dépistés tôt et opérés et pour lesquels on obtient parfois des guérisons. Et d'autres cancers qui ne se guérissent pas, ce qui est mon cas avec une tumeur au cerveau. Il faut vivre avec, en renforçant tout ce qui nourrit la vie dans son corps. Il faut tenir la maladie à distance.
    DDD : Le nombre de cancers explose dans les pays occidentaux depuis les années 1940. Vous y voyez plusieurs explications. Lesquelles ?
    D. S.-S. : Cela vient en partie du vieillissement de la population. De la systématisation du dépistage. Chez les enfants, le cancer progresse de 1 à 1,5 % par an. Il y a aussi des facteurs sociétaux. Comme le bouleversement de notre alimentation, la sédentarité. Avant guerre, les pesticides n'existaient pas ; la généralisation des contaminants chimiques contribue à la progression du cancer. La réduction massive du réseau social, qui est notre principale protection contre les effets négatifs des grandes crises de la vie sur notre corps, influe également beaucoup. Le manque d'exposition au soleil également. Tout cela est arrivé en même temps.
    DDD : Vous avez été soigné par les méthodes conventionnelles. En proposez-vous une nouvelle dans notre livre ?
    D. S.-S. : Non. L'opération et la chimiothérapie sont nécessaires. Mais il y a la tumeur, et le terrain. La médecine moderne doit s'occuper des deux.
    DDD : Précisément. Vous donnez des conseils très précis pour rester en bonne santé : marcher, bien se nourrir. Les aliments de base ?
    D. S.-S. : Très simplement, dans nos assiettes, il faut changer les proportions. Plutôt qu'un gros steak, un petit morceau de viande ou de poisson : 20 % de produits animaux, et 80 % de légumes. Les meilleurs légumes sont les choux, l'oignon, l'ail.. J'ajouterai les herbes, le thym, le romarin, le basilic. Je préconise de boire trois tasses de thé vert par jour, en dehors des repas, et d'introduire le curcuma dans son assiette. Le curcuma est l'inflammatoire naturel le plus efficace : un quart de cuillère à café trois par semaine suffit.
    DDD : Vous êtes psychiatre. Le moral, dans le combat contre la maladie, cela compte énormément, non ?
    D. S.-S. : Bien sûr. Ce sujet est d'ailleurs un chapitre que j'ai entièrement repris dans mon livre pour être très clair. Le stress ne cause pas le cancer, mais on voit que certaines réponses au stress, le désespoir prolongé, interfèrent avec la capacité du corps à se défense, à mieux lutter. Une femme atteinte d'un cancer et qui va être soutenue par un réseau de copines va multiplier ses chances de guérison.
    DDD : Pensez-vous que les chercheurs trouveront l'arme absolue contre le cancer ?
    D. S.-S. : Non. Il n'y aura pas de traitement miracle. Le cancer, c'est un peu comme le dérèglement climatique : la conclusion ultime d'une mauvaise gestion des ressources. Il va falloir vivre avec, mobiliser les ressources de son corps, l'aider à se détoxifier.
    Interview Sabine Bernède

    Ses dimanches

    Je cuisine avec ma femme. Je vais faire du sport, ou me balader avec elle et les enfants. Et puis j'aime lire dans le canapé du salon, celui appartient normalement au chat.

    Son actualité

    David Servan-Schreiber est médecin-psychiatre. Il a enseigné à la faculté de médecine de Pittsburg, aux Etats-Unis. C'est là qu'il a découvert qu'il avait un cancer, ce qu'il n'a révélé que récemment. Ses livres, «Guérir», puis «Anticancer», sont devenus des best-sellers mondiaux. David Servan-Schreiber vient de publier une nouvelle édition de son dernier ouvrage. Il vit à Paris, et continue d'enseigner aux Etats-Unis. Il est professeur adjoint au MD Anderson Cancer Center de Houston au Texas."

    Fonte e imagem:
    http://www.ladepeche.fr/article/2010/03/21/801740-Servan-Schreiber-Mon-combat-contre-la-maladie.html

    20 New Anticancer Rules

    By Dr. David Servan-Schreiber, M.D., Ph.D.
    "Michael Pollan's recent little gem of a book "Food Rules" inspired me to compile my own "rules" about what I'd like every person to know about how they can help avoid cancer - or slow it down if they have it.

    FOOD RULES

    1. Go retro: Your main course should be 80 percent vegetables, 20 percent animal protein, like it was in the old days. Opt for the opposite of the quarter pounder topped with a token leaf of iceberg lettuce and an anemic tomato slice. Meat should be used sparingly for taste, as when it used to be scarce, and should not be the focus of the meal.

    2. Mix and match your vegetables: Vary the vegetables you eat from one meal to the next, or mix them together -- broccoli is an effective anticancer food, and is even more effective when combined with tomato sauce, onions or garlic. Get in the habit of adding onions, garlic or leeks to all your dishes as you cook.

    3. Go organic: Choose organic foods whenever possible, but remember it's always better to eat broccoli that's been exposed to pesticide than to not eat broccoli at all (the same applies to any other anticancer vegetable).

    4. Spice it up: Add turmeric (with black pepper) when cooking (delicious in salad dressings!). This yellow spice is the most powerful natural anti-inflammatory agent. Remember to add Mediterranean herbs to your food: thyme, oregano, basil, rosemary, marjoram, mint, etc. They don't just add flavor, they can also help reduce the growth of cancer cells.

    5. Skip the potato: Potatoes raise blood sugar, which can feed inflammation and cancer growth. They also contain high levels of pesticide residue (to the point that most potato farmers I know don't eat their own grown potatoes).

    6. Go fish: Eat fish two or three times a week - sardines, mackerel, and anchovies have less mercury and PCBs than bigger fish like tuna. Avoid swordfish and shark, which the FDA says pregnant women should not eat because they contain a high concentration of contaminants.

    7. Remember not all eggs are created equal: Choose only omega-3 eggs, or don't eat the yolks. Hens are now fed on mostly corn and soybeans, and their eggs contain 20 times more pro-inflammatory omega-6 fatty acids than cell-growth regulating omega-3s.

    8. Change your oil: Use only olive and canola oil in cooking and salad dressings. Go through your kitchen cabinets and throw out your soybean, corn and sunflower oils. (And no, you can't give them to your neighbors or your relatives... They're much too rich in omega-6 fatty acids!)

    9. Say "Brown is beautiful": Eat your grains whole and mixed (wheat with oats, barley, spelt, flax, etc.) and favor organic whole grains when possible since pesticides tend to accumulate on whole grains. Avoid refined, white flour (used in bagels, muffins, sandwich bread, buns, etc.) whenever possible, and eat white pasta only al dente.

    10. Keep sweets down to fruits: Cut down on sugar by avoiding sweetened sodas and fruit juices, and skipping dessert or replacing it with fruit (especially stone fruits and berries) after most meals. Read the labels carefully, and steer clear of products that list any type of sugar (including brown sugar, corn syrup, etc.) in the first three ingredients. If you have an incorrigible sweet tooth, try a few squares of dark chocolate containing more than 70% cocoa.

    11. Go green: Instead of coffee or black tea, drink three cups of green tea per day. Use decaffeinated green tea if it gets you too wired. Regular consumption of green tea has been linked to a significant reduction in the risk for developing cancer.

    12. Make room for exceptions. What matters is what you do on a daily basis, not the occasional treat.

    NON-FOOD RULES

    1. Get physical: Make time to exercise, be it walking, dancing or running. Aim for 30 minutes of physical activity at least 5 days a week. This can be as easy as just walking part of the way to the office, or the grocery store. A dog is often a better walking partner than an exercise buddy. Choose an activity you enjoy; if you're having fun, you're more likely to stick with it.

    2. Let the sun shine in: Try to get at least 20 minutes of daily sun exposure (torso, arms and legs) without sunscreen, preferably at noon in the summer (but take care to avoid sunburns!). This will boost your body's natural production of Vitamin D. As an alternative: discuss the option of taking a Vitamin D3 supplement with your doctor.

    3. Banish bad chemicals: Avoid exposure to common household contaminants. You should air our your dry-cleaning for two hours before storing or wearing it; use organic cleaning products (or wear gloves); don't heat liquids or food in hard plastics; avoid cosmetics with parabens and phthalates; don't use chemical pesticides in your house or garden; replace your scratched Teflon pans; filter your tap water (or used bottled water) if you live in a contaminated area; don't keep your cell phone close to you when it is turned on.

    4. Reach out (and touch someone!): Reach out to at least two friends for support (logistical and emotional) during times of stress, even if it's through the internet. But if they're within arms reach, go ahead and hug them, often!

    5. Remember to breathe: Learn a basic breathing relaxation technique to let out some steam whenever you start to feel stressed.

    6. Get involved: Find out how you can best give something back to your local community, then give it.

    7. Cultivate happiness like a garden: Make sure you do one thing you love for yourself on most days (it doesn't have to take long!)."

    Anticancer_book_presentation_David_Servan_Schreiber


    Alimentação anti-cancro.
    Segundo David Servan-Schreiber a alimentação anti-cancro deverá incluír:
    • Açafrão das Índias;
    • Couve;
    • Bróculos;
    • Chá verde;
    • Bagas;
    • Lentilhas;
    • Feijão;
    • Cereais;
    • Soja;
    • Tofu;
    • Alho, cebolas e alho-francês (diariamente); e,
    • Não mais do que 250g de carne vermelha por semana.