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New study finds significant differences between organic and non-organic food

por Carlo Leifert
13 July 2014

"In the largest study of its kind, an international team of experts led by Newcastle University, UK, has shown that organic crops and crop-based foods are up to 69% higher in a number of key antioxidants than conventionally-grown crops.
Analysing 343 studies into the compositional differences between organic and conventional crops, the team found that a switch to eating organic fruit, vegetable and cereals – and food made from them – would provide additional antioxidants equivalent to eating between 1-2 extra portions of fruit and vegetables a day.
The study, published today in the prestigious British Journal of Nutrition, also shows significantly lower levels of toxic heavy metals in organic crops. Cadmium, which is one of only three metal contaminants along with lead and mercury for which the European Commission has set maximum permitted contamination levels in food, was found to be almost 50% lower in organic crops than conventionally-grown ones.
Newcastle University’s Professor Carlo Leifert, who led the study, says: “This study demonstrates that choosing food produced according to organic standards can lead to increased intake of nutritionally desirable antioxidants and reduced exposure to toxic heavy metals.
“This constitutes an important addition to the information currently available to consumers which until now has been confusing and in many cases is conflicting.”

New methods used to analyse the data
This is the most extensive analysis of the nutrient content in organic vs conventionally-produced foods ever undertaken and is the result of a groundbreaking new systematic literature review and meta-analysis by the international team.
The findings contradict those of a 2009 UK Food Standards Agency (FSA) commissioned study which found there were no substantial differences or significant nutritional benefits from organic food.
The FSA commissioned study based its conclusions on only 46 publications covering crops, meat and dairy, while Newcastle led meta-analysis is based on data from 343 peer-reviewed publications on composition difference between organic and conventional crops now available.
“The main difference between the two studies is time,” explains Professor Leifert, who is Professor of Ecological Agriculture at Newcastle University
“Research in this area has been slow to take off the ground and we have far more data available to us now than five years ago”.
Dr Gavin Stewart, a Lecturer in Evidence Synthesis and the meta-analysis expert in the Newcastle team, added: “The much larger evidence base available in this synthesis allowed us to use more appropriate statistical methods to draw more definitive conclusions regarding the differences between organic and conventional crops”

What the findings mean 
The study, funded jointly by the European Framework 6 programme and the Sheepdrove Trust, found that concentrations of antioxidants such as polyphenolics were between 18-69% higher in organically-grown crops. Numerous studies have linked antioxidants to a reduced risk of chronic diseases, including cardiovascular and neurodegenerative diseases and certain cancers.
Substantially lower concentrations of a range of the toxic heavy metal cadmium were also detected in organic crops (on average 48% lower).
Nitrogen concentrations were found to be significantly lower in organic crops. Concentrations of total nitrogen were 10%, nitrate 30% and nitrite 87% lower in organic compared to conventional crops. The study also found that pesticide residues were four times more likely to be found in conventional crops than organic ones.
Professor Charles Benbrook, one of the authors of the study and a leading scientist based at Washington State University, explains: “Our results are highly relevant and significant and will help both scientists and consumers sort through the often conflicting information currently available on the nutrient density of organic and conventional plant-based foods.”
Professor Leifert added: “The organic vs non-organic debate has rumbled on for decades now but the evidence from this study is overwhelming – that organic food is high in antioxidants and lower in toxic metals and pesticides.
“But this study should just be a starting point. We have shown without doubt there are composition differences between organic and conventional crops, now there is an urgent need to carry out well-controlled human dietary intervention and cohort studies specifically designed to identify and quantify the health impacts of switching to organic food.”
The authors of this study welcome the continued public and scientific debate on this important subject. The entire database generated and used for this analysis is freely available on the Newcastle University website  for the benefit of other experts and interested members of the public.

This post appears courtesy of Newcastle University

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Estilo de Vida Anti-cancro

"País pouco preparado para aumento de casos de cancro
in Jornal Público, 4.06.2010

OMS alerta que nas próximas duas décadas vão duplicar casos. Em Portugal faltam recursos para fazer face ao aumento, alerta Ordem dos Médicos
Os serviços de saúde portugueses não estão preparados para responder ao aumento dos casos de cancro que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), duplicarão nas próximas duas décadas, alerta Jorge Espírito Santo, presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos.

Segundo um relatório da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro, em 2030 vão registar-se cerca de 21,4 milhões de novos casos de cancro por ano e 13,2 milhões de mortes, por comparação com os 12,7 milhões de novos casos e 7,6 milhões de mortes de 2008. Estes dados confirmam uma previsão anterior da OMS e a partir dos quais foi feita a Carta de Princípios de Coimbra, divulgada em 2009, onde os oncologistas denunciavam o "desperdício e ineficiência" na utilização dos recursos usados na luta contra o cancro e propunham uma "reforma na prática" da oncologia em Portugal.

Na altura, "também alertámos para a impreparação dos serviços de saúde portugueses para lidar com esse aumento" do número de casos, recorda Espírito Santo. "Os serviços têm de ser preparados para essa ocorrência e depois tentar, conforme possível, intervir a montante no sentido de prevenir e detectar precocemente a doença", diz. Como é que isso se faz? Através dos programas, que já deveriam estar em curso, de controlo de tabagismo, obesidade, educação para a saúde e através da aplicação dos programas de rastreio o "mais rapidamente possível", alerta. Para responder a todos os casos, é necessário que "os serviços se organizem e que tenham recursos humanos, meios técnicos e, sobretudo, meios financeiros adequados".

Dezasseis meses depois de os oncologistas terem alertado para a situação, Jorge Espírito Santo afirma que o "impacto prático" desse alerta ainda não foi o desejado, apesar de já terem sido registados alguns avanços, como a criação, pelo Governo, do documento Requisitos para a Prática da Oncologia, em fase de elaboração final. "Mas isso só não chega. É preciso incluir os profissionais de saúde e os doentes no planeamento e na aplicação concreta das medidas que forem decididas", defende. O responsável alertou ainda que, se "a situação não mudar nada, será funesto não só para o sistema de saúde, mas sobretudo para os doentes que vão necessitar de tratamento". Lusa"


"David Servan-Schreiber: "A minha saúde é muito melhor do que antes de ter tido cancro

in Jornal Público, 29.05.2010 -  Por Ana Gerschenfeld

"Todos somos portadores de células cancerosas, a partir de certa idade. Mas apenas uma pessoa em cada quatro vai morrer de cancro. Qual é o segredo das outras três? As suas defesas naturais, afi rma o médico e cientista francês David Servan-Schreiber. E é possível estimularmos essas defesas naturais através do nosso estilo de vida, para prevenir ou lutar contra o cancro.


David Servan-Schreiber tem 49 anos e formou-se em Neuropsiquiatria pela Universidade de Pittsburgh, nos EUA. Aos 31 anos, soube que tinha um tumor maligno no cérebro. Mas ainda cá está e diz-se de óptima saúde. Sorte? Nada disso, explicou em duas conferências – uma para médicos, a outra para o público – durante o 3.º Congresso de Medicina Antienvelhecimento, que teve lugar há uma semana, em Cascais.

A luta de Servan-Schreiber contra a doença mortal com a qual convive há 18 anos levou-o a tentar desemaranhar o novelo dos inúmeros estudos científicos sobre o cancro e a tentar dar-lhe sentido, para perceber o que torna umas pessoas mais resistentes ao cancro do que outras. As suas respostas estão no livro Anticancro – Uma nova maneira de viver, editado em Portugal pela Caderno em 2008 e que se tornou um best-seller mundial.

Servan-Schreiber é um divulgador espectacular e convincente. Mas há ainda muita coisa por demonstrar cientificamente nas suas ideias. Até agora, tudo o que afirma baseia-se em estudos epidemiológicos ou em experiências in vitro e em animais. Mas argumenta que as mudanças de estilo de vida que preconiza não podem fazer mal nenhum – e que, se funcionarem, mais vale começar a aplicá-las já do que esperar.

Antes de escrever o livro receou que a sua abordagem desse falsas esperanças a outros doentes com cancro. Mas percebeu que o que acontece é que eles vivem numa situação de “falso desespero”, porque sentem que não têm qualquer controlo sobre a sua doença e a sua vida, e decidiu transmitir-lhes as suas “mensagens de verdadeira esperança”. Como um verdadeiro guru.

Você teve um cancro. Qual é a sua história?
Eu era um jovem médico universitário, cientista, director de um laboratório de estudo das emoções através de imagens do cérebro obtidas por ressonância magnética. Tinha 31 anos e era muito ambicioso. Num fim de tarde, o voluntário que devia submeter-se à experiência desse dia faltou e decidi ser eu a entrar no scanner para o substituir. Foi assim que descobri que tinha um cancro do cérebro. Tive muita sorte, porque o tumor foi apanhado muito cedo e fui operado bastante depressa.

Mas o cancro voltou.
Tudo correu bem até à recaída, há dez anos, em 2000. Dessa vez foi mais grave, porque o tumor era maior e mais agressivo. Tive de ser novamente operado e de fazer quimioterapia e radioterapia.

Foram a cirurgia e os outrostratamentos do cancro que lhe salvaram a vida das duas vezes.
Claro. Mas foi nessa altura que pensei que provavelmente isso não seria sufi ciente: as estatísticas de sobrevivência a este tipo de tumores não são boas. E decidi ver o que eu próprio podia fazer para reforça a capacidade de o meu corpo combater a doença.

No seu livro Anticancro descreve uma série de regras simples de estilo de vida que podem ajudar a combater a proliferação cancerosa. Quais são?
Ter atenção ao que comemos para que, se possível, a comida que ingerimos três vezes ao dia contribua para fazer abrandar a proliferação cancerosa. Como se tomássemos pequenas doses de medicamentos todos os dias. Não têm qualquer efeito tóxico – antes pelo contrário, só trazem benefícios para a saúde.

Também é preciso manter um certo nível de actividade física, pois isso estimula todas as capacidades promotoras da saúde do corpo – e em particular o sistema imunitário e a eliminação pelo organismo das substâncias cancerígenas. Por outro lado, temos de aprender a gerir melhor o nosso stress através de métodos simples de relaxação e de relacionamento com os outros. E, por último, devemos evitar ao máximo os produtos tóxicos cancerígenos.

Ao ler o seu livro, fi camos com a ideia de que ter um cancro para si foi quase uma coisa boa, que melhorou a sua vida.
Sem dúvida. E muitas pessoas que tiveram cancro dizem a mesma coisa – que agradecem ao seu cancro por lhes ter permitido pôr ordem na sua vida. Isso também acontece, aliás, às pessoas que sofreram um enfarte. É uma grande martelada, mas leva muitas pessoas a arrumar as suas vidas. Mas o que mais me espanta é que a minha saúde é muito melhor hoje do que antes de ter tido cancro. O meu estado de saúde é melhor aos 49 anos do que quando tinha 28 ou 29 anos.

Afi rma que assistimos actualmente a uma epidemia de cancro, com maior incidência nos jovens do que no passado. Os médicos estão cientes disto, nomeadamente em relação ao cancro da mama. Quais são as causas desta epidemia?
Uma mistura de factores alteraram completamente o nosso estilo de vida a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, em particular nas sociedades da Europa ocidental e da América do Norte. A nossa alimentação foi totalmente transformada, passámos a ter muito menos actividades físicas, as redes sociais e de amizade foram-se degradando – e reduzimos a nossa exposição ao sol (e, portanto, os níveis de vitamina D no organismo). Ao mesmo tempo, começámos a ser expostos a produtos químicos com uma intensidade sem precedentes. Juntos, todos estes factores criam um terreno propício à progressão do cancro no corpo humano. Não diria que provocam forçosamente o cancro, mas criam um terreno propício.

Fala-se muito da predisposição genética para o cancro e fica-se com a ideia de que há pessoas a quem calhou um “mau” número na lotaria genética. Um exemplo disso são os genes BRCA1 e 2, responsáveis pela maioria dos cancros hereditários da mama e do ovário. Mas, na sua opinião, o nosso destino não fica determinado à nascença. Acha mesmo que temos o poder de contrariar essa lotaria?
O que nos dizem estudos recentes é que, se as mulheres que têm mutações nesses genes não fizerem nada de particular, o seu risco de contrair cancro da mama é de 80 por cento. Mas também nos dizem que, quanto maior a quantidade de legumes na alimentação dessas mulheres, mais pequeno o risco.

E isso apesar das mutações: as participantes com mutações nesses genes que comiam as maiores quantidades de vegetais viram o seu risco de cancro da mama reduzido em 73 por cento em relação àquelas que comiam as quantidades mais pequenas. Cerca de 15 por cento dos cancros têm uma componente genética. Mas mesmo quando essa componente existe, os factores ligados ao estilo de vida desempenham um papel importantíssimo, tanto para fazer com que esses genes de cancro se expressem como para impedir a sua expressão.

Na alimentação, o que é que promove o cancro?
Para além do tabaco e do álcool, em primeiro lugar o açúcar e as farinhas brancas. É pena, porque as farinhas brancas são muito apetitosas. Mas no corpo elas transformamse imediatamente em açúcar. Depois temos os óleos de girassol, soja, milho; a carne e os produtos derivados de animais criados com rações à base de soja e de milho (em vez de pastagens). Do lado dos contaminantes químicos, certos pesticidas, certos produtos químicos presentes nos perfumes e nos cosméticos (parabenos e ftalatos), o tetracloroetileno (o solvente da limpeza a seco) ou o bisfenol A (BPA), que é libertado pelos plásticos duros quando são expostos a alimentos ou líquidos quentes.

É uma agressão permanente...
É. Mas isso não quer dizer que todas as pessoas que tenham bebido uma chávena de chá aquecido no microondas numa caneca de plástico duro vão morrer de cancro, porque existem imensos factores que podem compensar esse efeito. Também fazem parte da equação, do equilíbrio, o facto de ser fisicamente activo, de comer com frequência legumes anticancro, de ter bons níveis de vitamina D no organismo e uma rede social de qualidade. São os desequilíbrios que fazem aumentar as probabilidades de o cancro se desenvolver.

Mas, apesar de todas estas mudanças supostamente perigosas de dieta e outras, a esperança de vida – e de vida com qualidade – aumentou nitidamente nas sociedades ocidentais. Isso não é paradoxal?
A esperança de vida que aumentou foi a das pessoas que nasceram antes de 1950. A esperança de vida das crianças que nascem hoje nos Estados Unidos é inferior à dos seus pais. E é a primeira vez na História da humanidade que isso acontece.

Aquilo a que chama alimentos “anticancro” – biológicos, em particular – continuam a ser mais caros do que os outros. Como comer “anticancro” quando se tem uma família para alimentar?
Não é totalmente verdade que os alimentos biológicos sejam muito mais caros. Tem mesmo havido estudos sobre a questão. Mas, sobretudo, é preciso passar para uma alimentação de tipo mediterrânico, com quantidades muito mais pequenas de produtos de origem animal. Basta cortar na quantidade de carne que comemos para poupar dinheiro. Se substituirmos a carne por lentilhas e feijões, garanto que o orçamento alimentar da família diminui. E não somos obrigados a comer apenas alimentos biológicos. É melhor, mas não é vital. Mais vale comer brócolos, mesmo que tenham resíduos de pesticidas, do que não comer brócolos nenhuns.

A carne não é importante para o crescimento das crianças?
As crianças vegetarianas têm um crescimento tão saudável como o das outras. A alimentação tem de fornecer proteínas, mas uma mistura de feijão e de arroz, por exemplo, fornece a mesma quantidade de proteínas que um bife.

Há uns anos, um grande estudo sobre suplementos de betacaroteno revelou-se não só decepcionante mas sugeriu mesmo que os comprimidos de beta-caroteno faziam aumentar a incidência de certos cancros. Por que é que os especialistas insistem neste tipo de estudos se, como já referiu, um único ingrediente não chega para combater o cancro?
A medicina procura sempre extrair um agente activo. O que eu tento mostrar é que isso não faz sentido. O cancro é um desequilíbrio entre inúmeros factores que o promovem e inúmeros factores susceptíveis de o travar. Se pretendermos utilizar apenas um ingrediente, o mais provável é que não observemos qualquer efeito.

Isso também vale para os ómega-3 [gorduras essenciais, contidas nomeadamente no peixe]? Explica que os ómega 3 são gorduras anticancro cruciais, mas sozinhos também não chegam?
Não, não chegam. É óbvio.

E o que é melhor, tomar um comprimido de ómega 3 ou ir buscar o ómega 3 aos alimentos?
Ir buscá-lo aos alimentos. O peixe, por exemplo, que contém muito ómega 3, também tem outras coisas muito úteis, como o selénio, o iodo, para além de ser uma boa fonte de proteína animal sem muitos dos inconvenientes da carne.

Considera o álcool como um agente de cancro, mas o vinho tinto como uma excepção. Mais vale engolir um comprimido de resveratrol [o ingrediente “anticancro” responsável pelos benefícios do vinho tinto], beber vinho tinto ou comer uvas pretas?
Há menos resveratrol nas uvas do que no vinho tinto, porque a fermentação contribui para extrair o resveratrol das uvas. É difícil dar uma resposta, porque a vantagem dos comprimidos é que não contêm álcool. Mas é um facto que um pouco de vinho tinto (mesmo pouco!) parece contribuir para a eliminação do cancro e favorecer a saúde em geral. E não devemos esquecer que o vinho tinto é também benéfico para a saúde cardiovascular. Mas mal ultrapassamos certas doses, verifica-se o efeito contrário: o vinho torna-se promotor do cancro.

Diz que as margarinas que fazem baixar o colesterol contribuíram para fazer aumentar não apenas a incidência do cancro, mas também a das doenças cardiovasculares. Não é o que costumamos ouvir.
Acontece que podemos fazer diminuir o colesterol e ao mesmo tempo aumentar os riscos de doenças cardiovasculares – e é o que este tipo de margarina faz [contém ómega 6, uma outra gordura essencial que, em níveis excessivos, tem sido apontada como promotora de doenças cardiovasculares e de cancro].

A questão do colesterol é muito complexa, mas o nível de colesterol é de facto menos importante do que o equilíbrio ómega 3/ómega 6, porque não temos medicamentos para mudar este equilíbrio – que depende, portanto, unicamente da nossa dieta –, mas temos medicamentos para diminuir o colesterol. Fala-se muito do colesterol e não o sufi ciente do equilíbrio ómega 3/ómega 6.

Se não devemos pôr nem manteiga nem margarina na nossa torrada do pequeno-almoço, o que é que nos resta?
Azeite. É delicioso. Mas comer pão também não é uma grande ideia.

Mesmo pão integral?
O pão integral também não é a melhor escolha, tem de ser multicereais. E, mesmo assim, é muito mais aconselhável comer muesli (ou uma mistura de cereais e frutas) com um iogurte biológico ou de soja. Isso é que contém muitas coisas que vão estimular a saúde do nosso corpo, não o pão.

Só deveríamos comer produtos frescos?
O que é preciso evitar são os chamados ácidos gordos trans – que são gorduras que não ficam rançosas e, por isso, são muito utilizadas na indústria alimentar. Mas isso, toda a gente o diz. E se consumirmos conservas, é melhor escolher as que vêm em boiões de vidro. Também podemos comer alimentos congelados.

Diz que os médicos continuam a transmitir aos seus doentes com cancro uma mensagem de “falso desespero”, ao dizerem que, em termos de estilo de vida, não há muito a fazer. Chegam a dizer que, para tal ou tal cancro, o doente pode continuar a fumar, porque isso não faz grande diferença. É possível mudar essa atitude “derrotista”?
É o que tento fazer. Nas minhas conferências, falo de um estudo que mostra uma redução de 68 por cento do risco de cancro da mama em mulheres que aprenderam a mudar o seu estilo de vida. Mas, mesmo quando há um ensaio como este, ninguém ouviu falar dele. Porquê? Porque ninguém convida os médicos a passar dois dias em Cascais, com todas as suas despesas pagas, para se inteirarem dos benefícios das frutas e dos legumes, do jogging ou das técnicas de relaxação. Há muito pouco dinheiro para fazer estudos quando não há nada que possa resultar numa patente.

Mas é preciso ter em conta que cada um destes elementos, isoladamente, pesa muito pouco na balança. Comer apenas brócolos não trava o cancro. Fazer jogging e mais nada não trava o cancro. É quando começamos a juntar todas estas coisas que obtemos resultados.

Existe uma pressão sobre os médicos por parte dos laboratórios farmacêuticos para não falarem de alterações do estilo de vida?
Não é preciso. Os laboratórios farmacêuticos não têm sequer de mexer um dedo, porque as barreiras que impedem que isto penetre a prática médica são muito efi cazes. Os médicos não recebem mais dinheiro por darem conselhos nutricionais aos seus doentes, antes pelo contrário, uma vez que acabam por passar mais tempo com cada doente.

Considera-se livre do seu cancro hoje?
Não.

E não pensa que, no fundo, teve sobretudo sorte – pelo facto de o seu tumor ter sido operável e de a quimioterapia e a radioterapia terem resultado?
Eu não sou uma experiência científi ca. O que digo no meu livro não se baseia no sucesso ou no fracasso do meu caso pessoal – e ainda bem. Não possuo nenhum método garantido a 100 por cento, não sei o que me irá acontecer daqui a três meses ou três anos. Mas isso não altera a validade do que digo. Tento pôr todas as chances do meu lado, mas em relação ao resto não tenho qualquer controlo. Claro que poderíamos dizer que tive sorte: quando olhamos para as estatísticas, há menos de dois por cento das pessoas com a mesma doença que eu e que estão hoje no mesmo ponto que eu.

O que faz actualmente?
Lancei um programa de investigação com o Centro de Estudo do Cancro MD Anderson de Houston [Universidade do Texas], para testar a minha abordagem através de medições biológicas. Queremos ver como é que as mudanças de estilo de vida modifi cam a natureza do terreno do corpo, fazendo com que as células cancerosas tenham menos hipóteses de proliferar. E estou a trabalhar num livro de receitas de cozinha, com indicações muito precisas em termos de alimentação. É que convém que o resultado seja saboroso.

Dicas
Alguns ingredientes do estilo de vida "anticancro", a consumir em simultâneo





  • Eliminar açúcar e farinhas brancas, promotoras de cancros. Num século, o consumo per capita de açúcares refinados passou de uns quilos por ano para 80 nos EUA, a maior parte dissimulada nos alimentos (uma lata de refrigerante açucarado contém 12 pacotes de açúcar). Substituir por farinhas integrais, arroz integral ou basmati, massa semi-integral, pão multicereais, lentilhas, feijão, chocolate preto, frutos vermelhos.
















  • Restabelecer o equilíbrio ómega 3/ómega 6, gorduras essenciais que o organismo só pode ir buscar aos alimentos. No Ocidente, os óleos alimentares industriais e a mudança de alimentação do gado levaram a um excesso de ómega 6, promotor da proliferação celular e da inflamação (que o ómega 3 inibe). Alimentos que promovem o equilíbrio: carne, ovos e lacticínios "bio", leite e iogurtes de soja, azeite. Alimentos ricos em ómega 3: óleo de linhaça, sardinhas e atum (em azeite quando são de lata), salmão, etc.
















  • Consumir muita fruta e legumes evitando os pesticidas. Servan-Schreiber prefere fruta e legumes "bio" no caso dos frutos vermelhos, uvas, pepinos, aipo, espinafres, feijão-verde, courgettes, etc. (se não forem "bio", podem ser lavados ou descascados para diminuir os resíduos). Brócolos, couves, tomates, cebolas, beringelas, ervilhas, abacates, mangas, ameixas, etc. estão menos contaminados. Certos frutos e legumes poderão ter uma acção anticancro específica (e variável conforme o cancro). O chá verde e o vinho tinto (um copo por dia) também. Convém ainda banir certos produtos cosméticos, arejar as peças de roupa após limpeza a seco, não aquecer os alimentos em recipientes de plástico duro e não beber água da torneira nas zonas de agricultura intensiva.
















  • Saber pedir ajuda e gerir o stress. As redes de amizade deterioraram-se, pelo menos nos EUA, porque a mobilidade das pessoas aumentou. Os doentes com cancro que têm amigos chegados e maior apoio psicológico parecem, segundo alguns estudos, resistir melhor à doença. E diversas técnicas de relaxação permitem gerir o stress. O stress em si, explica o médico, não é responsável pela diminuição das defesas imunitárias; é-o indirectamente pela maneira como lidamos com ele. O mais prejudicial é o sentimento de impotência, de perda de controlo sobre a sua própria vida.
















  • Manter bons níveis de vitamina D e evitar a sedentariedade. As pessoas trabalham muito menos no exterior, o que fez diminuir a actividade física e, nas regiões com pouco sol, dos níveis de vitamina D - vitamina que, explica Servan-Schreiber, tem uma acção anticancro. Muitos especialistas já aconselham andar a pé 30 minutos por dia, seis dias por semana. E, para compensar o défice em vitamina D, pode-se apanhar mais sol, tomar suplementos vitamínicos ou mesmo... engolir de vez em quando uma colher de óleo de fígado de bacalhau."











  • Fontes e imagem:
    http://jornal.publico.pt/noticia/04-06-2010/pais-pouco-preparado-para-aumento-de-casos-de-cancro-19544322.htm
    http://www.publico.pt/Sociedade/a-minha-saude-e-muito-melhor-do-que-antes-de-ter-tido-cancro_1439607

    Peritos propõem soluções para a área do cancro "em tempos de contenção" 02.04.2012, in Jornal Público, por Catarina Gomes:
    http://www.publico.pt/Sociedade/peritos-propoem-solucoes-para-a-area-do-cancro-em-tempos-de-contencao-1540370

    David Servan-Schreiber: "A minha saúde é muito melhor do que antes de ter tido cancro"

    in Jornal Público, 29.05.2010 -  Por Ana Gerschenfeld

    "Todos somos portadores de células cancerosas, a partir de certa idade. Mas apenas uma pessoa em cada quatro vai morrer de cancro. Qual é o segredo das outras três? As suas defesas naturais, afi rma o médico e cientista francês David Servan-Schreiber. E é possível estimularmos essas defesas naturais através do nosso estilo de vida, para prevenir ou lutar contra o cancro.


    David Servan-Schreiber tem 49 anos e formou-se em Neuropsiquiatria pela Universidade de Pittsburgh, nos EUA. Aos 31 anos, soube que tinha um tumor maligno no cérebro. Mas ainda cá está e diz-se de óptima saúde. Sorte? Nada disso, explicou em duas conferências – uma para médicos, a outra para o público – durante o 3.º Congresso de Medicina Antienvelhecimento, que teve lugar há uma semana, em Cascais.

    A luta de Servan-Schreiber contra a doença mortal com a qual convive há 18 anos levou-o a tentar desemaranhar o novelo dos inúmeros estudos científicos sobre o cancro e a tentar dar-lhe sentido, para perceber o que torna umas pessoas mais resistentes ao cancro do que outras. As suas respostas estão no livro Anticancro – Uma nova maneira de viver, editado em Portugal pela Caderno em 2008 e que se tornou um best-seller mundial.

    Servan-Schreiber é um divulgador espectacular e convincente. Mas há ainda muita coisa por demonstrar cientificamente nas suas ideias. Até agora, tudo o que afirma baseia-se em estudos epidemiológicos ou em experiências in vitro e em animais. Mas argumenta que as mudanças de estilo de vida que preconiza não podem fazer mal nenhum – e que, se funcionarem, mais vale começar a aplicá-las já do que esperar.

    Antes de escrever o livro receou que a sua abordagem desse falsas esperanças a outros doentes com cancro. Mas percebeu que o que acontece é que eles vivem numa situação de “falso desespero”, porque sentem que não têm qualquer controlo sobre a sua doença e a sua vida, e decidiu transmitir-lhes as suas “mensagens de verdadeira esperança”. Como um verdadeiro guru.

    Você teve um cancro. Qual é a sua história?
    Eu era um jovem médico universitário, cientista, director de um laboratório de estudo das emoções através de imagens do cérebro obtidas por ressonância magnética. Tinha 31 anos e era muito ambicioso. Num fim de tarde, o voluntário que devia submeter-se à experiência desse dia faltou e decidi ser eu a entrar no scanner para o substituir. Foi assim que descobri que tinha um cancro do cérebro. Tive muita sorte, porque o tumor foi apanhado muito cedo e fui operado bastante depressa.

    Mas o cancro voltou.
    Tudo correu bem até à recaída, há dez anos, em 2000. Dessa vez foi mais grave, porque o tumor era maior e mais agressivo. Tive de ser novamente operado e de fazer quimioterapia e radioterapia.

    Foram a cirurgia e os outrostratamentos do cancro que lhe salvaram a vida das duas vezes.
    Claro. Mas foi nessa altura que pensei que provavelmente isso não seria sufi ciente: as estatísticas de sobrevivência a este tipo de tumores não são boas. E decidi ver o que eu próprio podia fazer para reforça a capacidade de o meu corpo combater a doença.

    No seu livro Anticancro descreve uma série de regras simples de estilo de vida que podem ajudar a combater a proliferação cancerosa. Quais são?
    Ter atenção ao que comemos para que, se possível, a comida que ingerimos três vezes ao dia contribua para fazer abrandar a proliferação cancerosa. Como se tomássemos pequenas doses de medicamentos todos os dias. Não têm qualquer efeito tóxico – antes pelo contrário, só trazem benefícios para a saúde.

    Também é preciso manter um certo nível de actividade física, pois isso estimula todas as capacidades promotoras da saúde do corpo – e em particular o sistema imunitário e a eliminação pelo organismo das substâncias cancerígenas. Por outro lado, temos de aprender a gerir melhor o nosso stress através de métodos simples de relaxação e de relacionamento com os outros. E, por último, devemos evitar ao máximo os produtos tóxicos cancerígenos.

    Ao ler o seu livro, fi camos com a ideia de que ter um cancro para si foi quase uma coisa boa, que melhorou a sua vida.
    Sem dúvida. E muitas pessoas que tiveram cancro dizem a mesma coisa – que agradecem ao seu cancro por lhes ter permitido pôr ordem na sua vida. Isso também acontece, aliás, às pessoas que sofreram um enfarte. É uma grande martelada, mas leva muitas pessoas a arrumar as suas vidas. Mas o que mais me espanta é que a minha saúde é muito melhor hoje do que antes de ter tido cancro. O meu estado de saúde é melhor aos 49 anos do que quando tinha 28 ou 29 anos.

    Afi rma que assistimos actualmente a uma epidemia de cancro, com maior incidência nos jovens do que no passado. Os médicos estão cientes disto, nomeadamente em relação ao cancro da mama. Quais são as causas desta epidemia?
    Uma mistura de factores alteraram completamente o nosso estilo de vida a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, em particular nas sociedades da Europa ocidental e da América do Norte. A nossa alimentação foi totalmente transformada, passámos a ter muito menos actividades físicas, as redes sociais e de amizade foram-se degradando – e reduzimos a nossa exposição ao sol (e, portanto, os níveis de vitamina D no organismo). Ao mesmo tempo, começámos a ser expostos a produtos químicos com uma intensidade sem precedentes. Juntos, todos estes factores criam um terreno propício à progressão do cancro no corpo humano. Não diria que provocam forçosamente o cancro, mas criam um terreno propício.

    Fala-se muito da predisposição genética para o cancro e fica-se com a ideia de que há pessoas a quem calhou um “mau” número na lotaria genética. Um exemplo disso são os genes BRCA1 e 2, responsáveis pela maioria dos cancros hereditários da mama e do ovário. Mas, na sua opinião, o nosso destino não fica determinado à nascença. Acha mesmo que temos o poder de contrariar essa lotaria?
    O que nos dizem estudos recentes é que, se as mulheres que têm mutações nesses genes não fizerem nada de particular, o seu risco de contrair cancro da mama é de 80 por cento. Mas também nos dizem que, quanto maior a quantidade de legumes na alimentação dessas mulheres, mais pequeno o risco.

    E isso apesar das mutações: as participantes com mutações nesses genes que comiam as maiores quantidades de vegetais viram o seu risco de cancro da mama reduzido em 73 por cento em relação àquelas que comiam as quantidades mais pequenas. Cerca de 15 por cento dos cancros têm uma componente genética. Mas mesmo quando essa componente existe, os factores ligados ao estilo de vida desempenham um papel importantíssimo, tanto para fazer com que esses genes de cancro se expressem como para impedir a sua expressão.

    Na alimentação, o que é que promove o cancro?
    Para além do tabaco e do álcool, em primeiro lugar o açúcar e as farinhas brancas. É pena, porque as farinhas brancas são muito apetitosas. Mas no corpo elas transformamse imediatamente em açúcar. Depois temos os óleos de girassol, soja, milho; a carne e os produtos derivados de animais criados com rações à base de soja e de milho (em vez de pastagens). Do lado dos contaminantes químicos, certos pesticidas, certos produtos químicos presentes nos perfumes e nos cosméticos (parabenos e ftalatos), o tetracloroetileno (o solvente da limpeza a seco) ou o bisfenol A (BPA), que é libertado pelos plásticos duros quando são expostos a alimentos ou líquidos quentes.

    É uma agressão permanente...
    É. Mas isso não quer dizer que todas as pessoas que tenham bebido uma chávena de chá aquecido no microondas numa caneca de plástico duro vão morrer de cancro, porque existem imensos factores que podem compensar esse efeito. Também fazem parte da equação, do equilíbrio, o facto de ser fisicamente activo, de comer com frequência legumes anticancro, de ter bons níveis de vitamina D no organismo e uma rede social de qualidade. São os desequilíbrios que fazem aumentar as probabilidades de o cancro se desenvolver.

    Mas, apesar de todas estas mudanças supostamente perigosas de dieta e outras, a esperança de vida – e de vida com qualidade – aumentou nitidamente nas sociedades ocidentais. Isso não é paradoxal?
    A esperança de vida que aumentou foi a das pessoas que nasceram antes de 1950. A esperança de vida das crianças que nascem hoje nos Estados Unidos é inferior à dos seus pais. E é a primeira vez na História da humanidade que isso acontece.

    Aquilo a que chama alimentos “anticancro” – biológicos, em particular – continuam a ser mais caros do que os outros. Como comer “anticancro” quando se tem uma família para alimentar?
    Não é totalmente verdade que os alimentos biológicos sejam muito mais caros. Tem mesmo havido estudos sobre a questão. Mas, sobretudo, é preciso passar para uma alimentação de tipo mediterrânico, com quantidades muito mais pequenas de produtos de origem animal. Basta cortar na quantidade de carne que comemos para poupar dinheiro. Se substituirmos a carne por lentilhas e feijões, garanto que o orçamento alimentar da família diminui. E não somos obrigados a comer apenas alimentos biológicos. É melhor, mas não é vital. Mais vale comer brócolos, mesmo que tenham resíduos de pesticidas, do que não comer brócolos nenhuns.

    A carne não é importante para o crescimento das crianças?
    As crianças vegetarianas têm um crescimento tão saudável como o das outras. A alimentação tem de fornecer proteínas, mas uma mistura de feijão e de arroz, por exemplo, fornece a mesma quantidade de proteínas que um bife.

    Há uns anos, um grande estudo sobre suplementos de betacaroteno revelou-se não só decepcionante mas sugeriu mesmo que os comprimidos de beta-caroteno faziam aumentar a incidência de certos cancros. Por que é que os especialistas insistem neste tipo de estudos se, como já referiu, um único ingrediente não chega para combater o cancro?
    A medicina procura sempre extrair um agente activo. O que eu tento mostrar é que isso não faz sentido. O cancro é um desequilíbrio entre inúmeros factores que o promovem e inúmeros factores susceptíveis de o travar. Se pretendermos utilizar apenas um ingrediente, o mais provável é que não observemos qualquer efeito.

    Isso também vale para os ómega-3 [gorduras essenciais, contidas nomeadamente no peixe]? Explica que os ómega 3 são gorduras anticancro cruciais, mas sozinhos também não chegam?
    Não, não chegam. É óbvio.

    E o que é melhor, tomar um comprimido de ómega 3 ou ir buscar o ómega 3 aos alimentos?
    Ir buscá-lo aos alimentos. O peixe, por exemplo, que contém muito ómega 3, também tem outras coisas muito úteis, como o selénio, o iodo, para além de ser uma boa fonte de proteína animal sem muitos dos inconvenientes da carne.

    Considera o álcool como um agente de cancro, mas o vinho tinto como uma excepção. Mais vale engolir um comprimido de resveratrol [o ingrediente “anticancro” responsável pelos benefícios do vinho tinto], beber vinho tinto ou comer uvas pretas?
    Há menos resveratrol nas uvas do que no vinho tinto, porque a fermentação contribui para extrair o resveratrol das uvas. É difícil dar uma resposta, porque a vantagem dos comprimidos é que não contêm álcool. Mas é um facto que um pouco de vinho tinto (mesmo pouco!) parece contribuir para a eliminação do cancro e favorecer a saúde em geral. E não devemos esquecer que o vinho tinto é também benéfico para a saúde cardiovascular. Mas mal ultrapassamos certas doses, verifica-se o efeito contrário: o vinho torna-se promotor do cancro.

    Diz que as margarinas que fazem baixar o colesterol contribuíram para fazer aumentar não apenas a incidência do cancro, mas também a das doenças cardiovasculares. Não é o que costumamos ouvir.
    Acontece que podemos fazer diminuir o colesterol e ao mesmo tempo aumentar os riscos de doenças cardiovasculares – e é o que este tipo de margarina faz [contém ómega 6, uma outra gordura essencial que, em níveis excessivos, tem sido apontada como promotora de doenças cardiovasculares e de cancro].

    A questão do colesterol é muito complexa, mas o nível de colesterol é de facto menos importante do que o equilíbrio ómega 3/ómega 6, porque não temos medicamentos para mudar este equilíbrio – que depende, portanto, unicamente da nossa dieta –, mas temos medicamentos para diminuir o colesterol. Fala-se muito do colesterol e não o sufi ciente do equilíbrio ómega 3/ómega 6.

    Se não devemos pôr nem manteiga nem margarina na nossa torrada do pequeno-almoço, o que é que nos resta?
    Azeite. É delicioso. Mas comer pão também não é uma grande ideia.

    Mesmo pão integral?
    O pão integral também não é a melhor escolha, tem de ser multicereais. E, mesmo assim, é muito mais aconselhável comer muesli (ou uma mistura de cereais e frutas) com um iogurte biológico ou de soja. Isso é que contém muitas coisas que vão estimular a saúde do nosso corpo, não o pão.

    Só deveríamos comer produtos frescos?
    O que é preciso evitar são os chamados ácidos gordos trans – que são gorduras que não ficam rançosas e, por isso, são muito utilizadas na indústria alimentar. Mas isso, toda a gente o diz. E se consumirmos conservas, é melhor escolher as que vêm em boiões de vidro. Também podemos comer alimentos congelados.

    Diz que os médicos continuam a transmitir aos seus doentes com cancro uma mensagem de “falso desespero”, ao dizerem que, em termos de estilo de vida, não há muito a fazer. Chegam a dizer que, para tal ou tal cancro, o doente pode continuar a fumar, porque isso não faz grande diferença. É possível mudar essa atitude “derrotista”?
    É o que tento fazer. Nas minhas conferências, falo de um estudo que mostra uma redução de 68 por cento do risco de cancro da mama em mulheres que aprenderam a mudar o seu estilo de vida. Mas, mesmo quando há um ensaio como este, ninguém ouviu falar dele. Porquê? Porque ninguém convida os médicos a passar dois dias em Cascais, com todas as suas despesas pagas, para se inteirarem dos benefícios das frutas e dos legumes, do jogging ou das técnicas de relaxação. Há muito pouco dinheiro para fazer estudos quando não há nada que possa resultar numa patente.

    Mas é preciso ter em conta que cada um destes elementos, isoladamente, pesa muito pouco na balança. Comer apenas brócolos não trava o cancro. Fazer jogging e mais nada não trava o cancro. É quando começamos a juntar todas estas coisas que obtemos resultados.

    Existe uma pressão sobre os médicos por parte dos laboratórios farmacêuticos para não falarem de alterações do estilo de vida?
    Não é preciso. Os laboratórios farmacêuticos não têm sequer de mexer um dedo, porque as barreiras que impedem que isto penetre a prática médica são muito efi cazes. Os médicos não recebem mais dinheiro por darem conselhos nutricionais aos seus doentes, antes pelo contrário, uma vez que acabam por passar mais tempo com cada doente.

    Considera-se livre do seu cancro hoje?
    Não.

    E não pensa que, no fundo, teve sobretudo sorte – pelo facto de o seu tumor ter sido operável e de a quimioterapia e a radioterapia terem resultado?
    Eu não sou uma experiência científi ca. O que digo no meu livro não se baseia no sucesso ou no fracasso do meu caso pessoal – e ainda bem. Não possuo nenhum método garantido a 100 por cento, não sei o que me irá acontecer daqui a três meses ou três anos. Mas isso não altera a validade do que digo. Tento pôr todas as chances do meu lado, mas em relação ao resto não tenho qualquer controlo. Claro que poderíamos dizer que tive sorte: quando olhamos para as estatísticas, há menos de dois por cento das pessoas com a mesma doença que eu e que estão hoje no mesmo ponto que eu.

    O que faz actualmente?
    Lancei um programa de investigação com o Centro de Estudo do Cancro MD Anderson de Houston [Universidade do Texas], para testar a minha abordagem através de medições biológicas. Queremos ver como é que as mudanças de estilo de vida modifi cam a natureza do terreno do corpo, fazendo com que as células cancerosas tenham menos hipóteses de proliferar. E estou a trabalhar num livro de receitas de cozinha, com indicações muito precisas em termos de alimentação. É que convém que o resultado seja saboroso.

    Dicas
    Alguns ingredientes do estilo de vida "anticancro", a consumir em simultâneo

  • Eliminar açúcar e farinhas brancas, promotoras de cancros. Num século, o consumo per capita de açúcares refinados passou de uns quilos por ano para 80 nos EUA, a maior parte dissimulada nos alimentos (uma lata de refrigerante açucarado contém 12 pacotes de açúcar). Substituir por farinhas integrais, arroz integral ou basmati, massa semi-integral, pão multicereais, lentilhas, feijão, chocolate preto, frutos vermelhos.






  • Restabelecer o equilíbrio ómega 3/ómega 6, gorduras essenciais que o organismo só pode ir buscar aos alimentos. No Ocidente, os óleos alimentares industriais e a mudança de alimentação do gado levaram a um excesso de ómega 6, promotor da proliferação celular e da inflamação (que o ómega 3 inibe). Alimentos que promovem o equilíbrio: carne, ovos e lacticínios "bio", leite e iogurtes de soja, azeite. Alimentos ricos em ómega 3: óleo de linhaça, sardinhas e atum (em azeite quando são de lata), salmão, etc.






  • Consumir muita fruta e legumes evitando os pesticidas. Servan-Schreiber prefere fruta e legumes "bio" no caso dos frutos vermelhos, uvas, pepinos, aipo, espinafres, feijão-verde, courgettes, etc. (se não forem "bio", podem ser lavados ou descascados para diminuir os resíduos). Brócolos, couves, tomates, cebolas, beringelas, ervilhas, abacates, mangas, ameixas, etc. estão menos contaminados. Certos frutos e legumes poderão ter uma acção anticancro específica (e variável conforme o cancro). O chá verde e o vinho tinto (um copo por dia) também. Convém ainda banir certos produtos cosméticos, arejar as peças de roupa após limpeza a seco, não aquecer os alimentos em recipientes de plástico duro e não beber água da torneira nas zonas de agricultura intensiva.






  • Saber pedir ajuda e gerir o stress. As redes de amizade deterioraram-se, pelo menos nos EUA, porque a mobilidade das pessoas aumentou. Os doentes com cancro que têm amigos chegados e maior apoio psicológico parecem, segundo alguns estudos, resistir melhor à doença. E diversas técnicas de relaxação permitem gerir o stress. O stress em si, explica o médico, não é responsável pela diminuição das defesas imunitárias; é-o indirectamente pela maneira como lidamos com ele. O mais prejudicial é o sentimento de impotência, de perda de controlo sobre a sua própria vida.






  • Manter bons níveis de vitamina D e evitar a sedentariedade. As pessoas trabalham muito menos no exterior, o que fez diminuir a actividade física e, nas regiões com pouco sol, dos níveis de vitamina D - vitamina que, explica Servan-Schreiber, tem uma acção anticancro. Muitos especialistas já aconselham andar a pé 30 minutos por dia, seis dias por semana. E, para compensar o défice em vitamina D, pode-se apanhar mais sol, tomar suplementos vitamínicos ou mesmo... engolir de vez em quando uma colher de óleo de fígado de bacalhau."




  • Fonte e imagem:
    http://www.publico.pt/Sociedade/a-minha-saude-e-muito-melhor-do-que-antes-de-ter-tido-cancro_1439607

    Medical Establishment Acknowledges Role of Chemicals and Pesticides in Cancer Epidemic

    May 11th, 2010 - by: David Servan-Schreiber, M.D., Ph.D. 
     
    "Every year a committee delivers a report to the US President on how the billions of dollars earmarked for fighting cancer are being used. On May 6 that committee handed in its work for 2010, alerting the President to the gaps in research regarding the environmental causes of cancer. This year, for the first time, this high-brow panel of oncologists courageously pointed the finger at chemicals and other environmental factors that are likely to cause cancer.

    In their introduction, the signatories of the report that was handed to President Obama note that the incidence of cancer in children has been rising regularly, a fact that can’t be explained by the usual excuses for rising cancer rates in the population over the past thirty years (aging of the population, increasing use of cancer screening). By definition, as I wrote in Anticancer, neither the increasing age of our population, nor the improvement of screening, have any role in rising rates of cancer in children. Indeed, as the panel now acknowledges, the only plausible explanations have to do with changes in our environment and life-style.

    The panel criticizes the current "reactionary" approach, which consists in waiting for proof of the toxicity of a contaminant before measures are taken to reduce people's exposure.

    The authors underline the need for a new approach based on the precautionary principle. They criticize the ineffectiveness of the agencies set up to do scientific evaluations -- which are excessively influenced by industry and related lobbies. They point out that it is no longer acceptable that a product or chemical be considered “safe” simply because the company producing it affirms that it has conducted internal research establishing safety.

    The panel presents to the President a number of arguments that have long been made by activists that have been concerned about a laissez-faire approach to regulating chemicals in terms of their possible effects on health.

    Firstly, even when a pollutant is present in our environment at levels beneath the regulatory maximum, it may nonetheless become toxic because of interaction with other pollutants. The committee asks for more research on this often-neglected "cocktail effect".

    Secondly, the authors call -- "urgently" -- for more research regarding the effect of cell phones and their increased dissemination among teenagers and young children in particular.

    Below are the specific recommendations that the report states most need to be conveyed to the public in the short term:
    * Avoid endocrine disruptors, especially for children and pregnant women. (This includes a number of pesticides, but also children toys made with plasticizers such as phtalhates)
    * If you work in a polluted environment, don't go home in your work clothes and work shoes.
    * Filter your drinking water (particularly in areas where it may contain industrial chemicals or high levels of pesticides)
    * Don't keep your food or water in containers containing Bisphenol A or phtalates (hard plastic containers)
    * Prefer organic food. Avoid overcooked meat.
    * Have the level of radon in your home evaluated.

    I addressed all these themes in my book, Anticancer, and I continue to do so regularly on this site and in my public lectures. I'm deeply satisfied to see that these concerns are starting to be recognized by the oncologists who contribute to setting policy at the highest levels in the United States. It is important that they begin to recognize that these are not issues relevant only to a few agitated activists. These concerns are motivated by solid scientific studies and they should be at the core of any future policy to contain the current cancer epidemic.

    The 2010 President’s Cancer Panel report is available from the US National Cancer Institute’s Web site at:
    http://deainfo.nci.nih.gov/advisory/pcp/pcp.htm"

    Fonte:

    Econundrum: 12 Most Pesticide-Laden Fruits and Veggies

    Mar. 22, 2010
    At my local farmer's market, organic avocados cost as much as $2 a pop. Yet I can sometimes find the conventional version at the supermarket for half that (and some of the cheap ones are even grown right here in California). Considering my homemade guacamole addiction, I'd quickly bankrupt myself buying only organic avocadoes, so I usually go for the cheapos at the grocery store. My reasoning: You don't even eat the skin of the avocado, so presumably, for avocados and other peeled produce, pesticides aren't a problem. Right?
    Not always. Some fruits' and vegetables' thick skins do protect the edible part from chemicals. But not all. The Environmental Working Group recently analyzed samples of 47 common produce items in the state that they're usually eaten (i.e., avocados were peeled, apples washed with water, etc.) then ranked them according to the amount and variety of pesticides the researchers found. Good news for my guac addiction: As I suspected, peeled avocadoes contain a small amount of pesticides, ranking 46th on the list. But bananas come in at a surprisingly high 27, and cucumbers at 19. "It’s really hard to use your intuition to figure out what’s going to have high pesticide loads," says EWG spokesperson Amy Rosenthal. "Skin is something to take into account, but it doesn’t always make a huge difference."
    More findings: Peaches, apples, and sweet bell peppers were the three most pesticide-laden crops tested, while frozen sweet corn, avocado, and onion were least contaminated. The EWG team estimates you can lower your pesticide intake by as much as 80 percent if you steer clear of the top 12.

    In descending order, the EWG's 12 most contaminated fruits and vegetables:
    1. Peaches
    2. Apples
    3. Sweet bell peppers
    4. Celery
    5. Nectarines
    6. Strawberries
    7. Cherries
    8. Kale
    9. Lettuce
    10. Grapes (imported)
    11. Carrots
    12. Pears

    For the full list of all 47 fruits and veggies, go here.
    Kiera Butler is an associate editor at Mother Jones."

    Fonte e imagem:
    http://motherjones.com/blue-marble/2010/03/econundrum-12-most-contaminated-fruits-and-veggies

    Q. Organic—or Not? Is Organic Produce Healthier Than Conventional?

     "A. There are at least two good arguments for eating organic: fewer pesticides and more nutrients. Let’s start with pesticides. Pesticides can be absorbed into fruits and vegetables, and leave trace residues. The Environmental Working Group (EWG), a nonprofit, nonpartisan organization, pored over the results of nearly 51,000 USDA and FDA tests for pesticides on 44 popular produce items and identified the types of fruits and vegetables that were most likely to have higher trace amounts. Most people have no problems eating conventionally grown produce but if you feel strongly about pesticide residues, the EWG’s list below should help you shop.
    As for nutrients, in 2007 a study out of Newcastle University in the United Kingdom reported that organic produce boasted up to 40 percent higher levels of some nutrients (including vitamin C, zinc and iron) than its conventional counterparts. Additionally, a 2003 study in the Journal of Agricultural and Food Chemistry found that organically grown berries and corn contained 58 percent more polyphenols—antioxidants that help prevent cardiovascular disease—and up to 52 percent higher levels of vitamin C than those conventionally grown. Recent research by that study’s lead author, Alyson Mitchell, Ph.D., an associate professor of food science and technology at the University of California, Davis, pinpoints a potential mechanism to explain why organic techniques may sometimes yield superior produce.
    It’s a difference in soil fertility, says Mitchell: “With organic methods, the nitrogen present in composted soil is released slowly and therefore plants grow at a normal rate, with their nutrients in balance. Vegetables fertilized with conventional fertilizers grow very rapidly and allocate less energy to develop nutrients.” Buying conventional produce from local farmers also has benefits. Nutrient values in produce peak at prime ripeness, just after harvest. As a general rule, the less produce has to travel, the fresher and more nutrient-rich it remains.
    A 2008 review by the Organic Center of almost 100 studies on the nutritional quality of organic produce compared the effects conventional and organic farming methods have on specific nutrients. The report’s conclusion: “Yes, organic plant-based foods are, on average, more nutritious.”
    Bottom line: “Eating more fresh fruits and vegetables in general is the point,” says Mitchell. If buying all organic isn’t a priority—or a financial reality for you—you might opt to buy organic specifically when you’re selecting foods that are most heavily contaminated with pesticide and insecticide residues.

    Preferably Organic
    —Most Commonly Contaminated*



    • Peaches
    • Apples
    • Sweet Bell Peppers
    • Celery
    • Nectarines
    • Strawberries
    • Cherries
    • Kale
    • Lettuce
    • Grapes - Imported
    • Carrots
    • Pears


    If Budget Allows, Buy Organic

    • Collard Greens
    • Spinach
    • Potatoes
    • Green Beans
    • Summer Squash
    • Peppers
    • Cucumbers
    • Raspberries
    • Grapes - Domestic
    • Plums
    • Oranges
    • Cauliflower
    • Tangerines
    • Mushrooms
    • Bananas
    • Winter Squash
    • Cantaloupe
    • Cranberries
    • Honeydew Melon
    • Grapefruit

    It’s Your Call
    —Least Commonly Contaminated

    • Sweet Potatoes
    • Tomatoes
    • Broccoli
    • Watermelon
    • Papaya
    • Eggplant
    • Cabbage
    • Kiwis
    • Sweet Peas - Frozen
    • Asparagus
    • Mangoes
    • Pineapple
    • Sweet Corn - Frozen
    • Avocadoes
    • Onions
    *Listed in order of pesticide load
    Source: Environmental Working Group. Go to foodnews.org for updates."

    Fonte e imagem:
    http://www.eatingwell.com/food_news_origins/green_sustainable/organic_or_not_is_organic_produce_healthier_than_conventional?utm_source=YahooBlog_Brierley_15OrganicFoodsYouCanSaveOn_030210

    What's Fresh: Trying to save money? 15 foods you don’t need to buy organic

    By Brierley Wright, M.S., R.D.
    "Although I enjoy the grocery store (maybe it’s because I’m a dietitian that I love checking out new products and comparing food labels), lately my husband is doing our grocery shopping.
    His budget-friendly buys are great for our bank account. But they don’t always align with my interest in eating organically. We don’t buy everything organic, but pesticides can be absorbed into fruits and vegetables, leaving trace residues, and I’d prefer to not eat pesticides. Long-term exposure to them has been associated with cancer, infertility and neurologic conditions, such as Parkinson’s. (Here are 4 ways to reduce your exposure to pesticides.)
    Anyway, one day he called me from the produce aisle. Andy wanted to know what on the list he truly needed to buy organic and what he could skimp on and buy conventional. (Does organic produce have more nutrients? Find out here.)
    Fortunately, the Environmental Working Group (EWG, a nonprofit, nonpartisan organization) has identified 15 fruits and vegetables that are least likely to be contaminated with pesticide residues. I told him to save money and buy those conventional:
    1. Asparagus
    2. Avocado
    3. Broccoli
    4. Cabbage
    5. Eggplant
    6. Kiwi
    7. Mango
    8. Onions
    9. Papaya
    10. Pineapple
    11. Sweet corn (frozen)
    12. Sweet peas (frozen)
    13. Sweet potatoes
    14. Tomatoes
    15. Watermelon
    EWG also identified 12 fruits and vegetables that are most likely to have higher trace amounts of pesticides. We buy organic:
    1. Apples
    2. Carrots
    3. Celery
    4. Cherries
    5. Grapes (imported)
    6. Kale
    7. Lettuce
    8. Nectarines
    9. Peaches
    10. Pears
    11. Sweet bell peppers
    12. Strawberries"
    Fonte e imagem:
    http://shine.yahoo.com/channel/food/whats-fresh-trying-to-save-money-15-foods-you-don-t-need-to-buy-organic-999969/

    Bem-vindo ao mundo biológico

    "Para lhe provar que biológico não é sinónimo de comida esquisita e vegetariana, Mariana Correia de Barros foi visitar os quatro supermercados biológicos da Grande Lisboa. E ainda ficou mais surpreendida com o que encontrou nas prateleiras.


    Biocoop
    Já vai longa a história da cooperativa biológica alfacinha que começou há 17 anos, numa venda de quintal, e que hoje vive num enorme armazém em estilo loja, dividido em duas zonas, com uma padaria e snackbar anexados. Só torcemos o nariz ao sítio, o Prior Velho, para lá do aeroporto (e do sol posto). De resto, pareceu-nos servir bem o efeito. O BioCoop foi o primeiro espaço deste género e continua a ser o que oferece mais variedade. Desde cereais e bolachas, a leites de aveia, queijos, vinhos, licores, pizzas e muita carne. “Temos de importar produtos de Itália, França e Alemanha, que são países bem desenvolvidos no sector”, explica João Cabral, um dos responsáveis do espaço. De França chegam uns cereais especialíssimos, Celnat, “armazenados nos Alpes, num silo a 3200 metros de altitude (respeitando o fresco e seco que exige a conservação)” ou os iogurtes Sojade, “à base de soja, com sabores como pêssego com flor de sabugueiro”. Entre os produtos nacionais estão “todos aqueles que possam existir”. Desde as leguminosas e cereais da Herdade de Carvalhoso, aos leites e iogurtes Agros e aos enchidos da Montanheira. E para os mesmo fanáticos do mundo biológico... há cerveja à medida.

    BioSábio
    Fazia falta um espaço destes nas imediações da capital e foi com essa carta na manga que três amigos abriram o BioSábio, o único supermercado exclusivamente biológico em Oeiras e toda a Linha de Cascais. Arabela Dias, uma das sócias, entrou no mundo sem tóxicos e pesticidas quando o filho mais novo, por questões de saúde, começou a poder comer apenas produtos biológicos. Em Outubro de 2009 inaugurou o supermercado e, tal como os seus ‘concorrentes’, vende frutas, legumes, carnes, pão, massas, bolachas e por aí fora. Até chegar à cosmética, roupa de bebés e detergentes. Em suma, tudo aquilo que há num supermercado normal, com a diferença dos preços. “Um bocadinho mais caros: em média 30%”. Com tendência a diminuir daqui a poucos anos, se tanto a procura como a oferta continuarem a crescer. Já a secção gourmet, faz subir a parada, com arroz de flores a uma média de 6€ ou patês a rondar os 4€. Mas Arabela não se queixa de falta de clientela. Há quem venha de pé atrás e leve apenas hortaliças e há quem se torne cliente fiel a seguir à primeira visita. Não raras vezes perguntam se é um espaço de produtos dietéticos ou vegetarianos, tipo Celeiro. Estão enganados. “Aqui há de tudo”.

    Brio
    Se for tão desconfiado quanto a senhora velhinha que vive em frente ao Brio, não cometa o mesmo erro de esperar seis meses para meter o pé no supermercado. Mesmo que seja de gostos conservadores, este espaço vale a pena, quanto mais não seja porque tem tudo o que há num supermercado comum... mas em versão biológica. O Brio abriu em Campo de Ourique no Verão de 2008 e o negócio parece correr bem. “Os preços ainda são caros, mas já conseguimos alguns competitivos, como as massas Green a 0,99€”, diz o responsável do espaço, Miguel Monteiro. Também se encontram produtos curiosos como o Daikon (vegetal asiático) ou uns picles de nabo com 50 centímetros. Além disso, há espetadas de carne, hambúrgueres, coxas de frango e peixe congelado. “Para um novato em agricultura biológica sugerimos um bife da Herdade do Freixo do Meio, muito saboroso”. No caso de querer ser mais verde tem à disposição um chef especializado em comida macrobiótica que lhe esclarece qualquer dúvida. Aos sábados, a partir das 17.00, há cursos de culinária vegetariana (15€) com jantar incluído. De resto, há iniciativas para quase todos os gostos: churrascos na rua, degustações e muitas promoções.

    Miosótis (x2)
    Os criadores da Miosótis já deram provas suficientes nesta área. Em 1985 fundaram a associação Agrobio e anos depois o supermercado Biocoop, onde estiveram durante 14 anos. Há quase três anos, Ângelo e Manuela Rocha decidiram abrir um novo supermercado biológico. Primeiro no Campo Pequeno e mais tarde, em Agosto de 2009, em São Sebastião da Pedreira. Agora, além de serem os únicos a terem duas lojas, são também os únicos a oferecer um talho biológico. “De resto é tudo igual”. Produtos com selo Bio e o máximo de produção nacional. No total são cinco mil referências com uma rota de compras que começa nos arredores de Lisboa e só vai ao estrangeiro “porque ainda há pouca produção nacional”. Portugueses só mesmo os frescos, os azeites, vinhos, compotas e carnes. Têm expositores de leguminosas e cereais a granel. Sacos de plástico é que não. Para transportar as compras, os clientes podem trazer o seu próprio saco ou levar um caixote de cartão da loja. Carrinhos de compras existem, mas são feitos de garrafas recicladas. Às quintas é dia de venda do pão sem glúten e de cada vez que entra um produto novo nacional há degustação com direito a alguma mini-festinha"

    Rua Salgueiro Maia, 12
    Prior Velho

    segunda a sexta, 10 às 20h
    sábado, 9 às 18h
    Tel 219 410 479

    BioSábio: http://www.biosabio.pt/
    Rua A Gazeta de Oeiras, 4A, 2780-171 Oeiras

  • segunda a sexta, 10 às 20h



  • sábado, 9h30 às 18h



  • tel 210 987 546





  • Rua Azedo Gneco, 30
    Campo de Ourique
    segunda a sábado, 9 às 20h
    domingo, 10 às 18h
    Tel 213 866 406
    Autocarros, 

    Miosotis: http://biomiosotis.blogspot.com/
    Av. Óscar Monteiro Torres, 15, ao Campo Pequeno (tel. 217959358)

    segunda a sexta, 10 às 20h
    sábado, 9 às 17h.
    metro: campo pequeno
    autocarros (av. de roma): 7, 35, 767
    autocarros (campo pequeno): 21, 36, 44, 45, 54, 56, 83, 91, 108, 727, 732, 738, 745, 780


    Miosotis: http://biomiosotis.blogspot.com/
    R. Marquês Sá da Bandeira, 16, ao Jardim da Gulbenkian (tel. 217959357).
    segunda a sexta, 10 às 20h
    sábado, 9 às 17h.
    metro: são sebastião
    autocarros: 16, 718, 726, 742, 746

    Fonte:
    http://www.timeout.pt/news.asp?id_news=5134&